Entre formações de alta precisão e voos de teste que exploram os limites de uma aeronave, a trajetória de Glen Peach (T92) revela uma constante: disciplina aliada à responsabilidade. Ex-integrante da Esquadrilha da Fumaça e engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele construiu uma carreira que conecta a exigência da aviação militar ao rigor técnico da indústria aeronáutica.
Piloto de ensaios da Embraer desde 2001, Glen esteve à frente de marcos importantes, como o voo inaugural do EMBRAER 195, uma experiência que ele define como “gratificante e marcante” em sua trajetória.
Mais do que os marcos da carreira, sua história é um retrato de como a formação técnica e a vivência operacional moldam uma mentalidade essencial para a aviação.
🧭 Confiança, disciplina e responsabilidade
A passagem pela Esquadrilha da Fumaça foi determinante na construção dessa base.
“Uma das grandes lições foi a confiança que se deve ter nos companheiros — e a responsabilidade dessa confiança mútua.”
Mais do que confiar, Glen destaca um princípio que sintetiza sua visão de disciplina:
“Confiar, mas sempre confirmar, principalmente nos pontos críticos.”

Esse equilíbrio se traduz em uma dualidade clara:
Disciplina: seguir o líder.
Responsabilidade: não deixar de ser também seu próprio líder.
Uma lógica que se aplica tanto ao voo em formação quanto às decisões individuais em situações críticas.
🎓O ITA e a disciplina de perseverar
A ida para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica não foi um ponto de partida, mas a retomada de um objetivo antigo.
“Foi a realização de um objetivo de vida que havia sido preterido no passado.”
Se a disciplina já vinha da formação da Academia da Força Aérea (AFA), o ITA trouxe um novo tipo de exigência: “O sistema de estudo exigente do ITA demandou muita disciplina para organizar o estudo e compatibilizar com a vida familiar.”

Cadete da Força Aérea
Mais do que formar tecnicamente, o curso reforçou uma atitude essencial: “Exigiu e desenvolveu bastante a atitude de perseverar até o fim.”
🛫 Ensaios em voo: o desafio do não rotineiro
Na Embraer, Glen iniciou sua trajetória em 1999. A consolidação como piloto de ensaios em voo veio dois anos depois, em 2001, após a realização do curso de Piloto de Provas Civil na Empire Test Pilots’ School, na Inglaterra, onde permaneceu por oito meses.
A partir dessa formação, passou a atuar diretamente nos ensaios em voo – uma atividade que, segundo ele, se distingue pela ausência de rotina: “No ensaio em voo, a atividade é estritamente não rotineira.”

Piloto de Ensaio na aeronave Hunter
Diferente da aviação convencional, onde a repetição traz previsibilidade, o piloto de testes vive o oposto: “A única rotina verdadeira é que sempre estamos fazendo tarefas diferentes, em equipamentos diferentes e em diferentes ambientes.”
Nesse cenário, a responsabilidade aumenta: “A grande responsabilidade é manter um nível de segurança o mais próximo possível do voo rotineiro.”
✈️ Um marco na carreira
Entre os diversos testes realizados, um momento se destaca: o comando do voo inaugural do EMBRAER 195.
“Foi uma sensação gratificante e marcante de realização na carreira de ensaio.”
Mais do que um voo, trata-se de um marco que sintetiza anos de preparação, conhecimento e responsabilidade acumulados.

Piloto de Ensaio na Embraer
🔧Quando a engenharia vira instinto
A formação no ITA se revela, principalmente, na forma de pensar.
“Acaba sendo quase instintiva a tendência para calcular, prever e questionar.”
O contato intenso com problemas complexos ao longo da graduação moldou uma abordagem que vai além do conhecimento técnico: “A influência é automática, instintiva, inevitável.”
Essa base não aparece apenas em momentos críticos, mas justamente na prevenção deles.
“Na maioria das vezes, ela evita situações que demandariam uma ação decisiva de momento.”
🎯 Mentalidade para a aviação
Ao olhar para quem deseja seguir carreira na aviação, Glen é direto:
⭐é preciso disciplina;
⭐é preciso força de vontade de fazer tudo melhor;
⭐é preciso estudar muito;
⭐e, acima de tudo, nunca desistir!
Uma síntese que conecta sua trajetória, da formação militar na Academia da Força Aérea (AFA) ao ITA, e dali aos ensaios em voo na Embraer.
Porque, no fim, seja no cockpit ou no desenvolvimento de uma aeronave, o que sustenta o voo é uma combinação rara: preparo técnico, responsabilidade e a disciplina de fazer sempre melhor.
Nota da ITAEx
A trajetória de Glen Peach evidencia um caminho singular na aviação: da experiência como piloto militar à formação em engenharia eletrônica no ITA, seguida pela atuação na aviação civil como piloto de ensaios. Esse percurso reforça como a formação técnica, aliada à disciplina e à experiência prática, contribui para a transição entre diferentes áreas da aviação com alto nível de responsabilidade.

