Engenharia em Ação: LeITA – conectando o ITA ao ecossistema empreendedor

Em um ambiente historicamente reconhecido pela excelência técnica e pela formação de engenheiros de alto desempenho, uma nova iniciativa vem ampliando horizontes dentro do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA): a LeITA – Liga de Empreendedorismo do ITA.

Re-fundada em 2024, o projeto nasceu com um objetivo claro: aproximar os alunos do universo do empreendedorismo e mostrar que criar soluções, construir empresas e desenvolver tecnologia também pode ser um caminho legítimo para os iteanos.

Mais do que incentivar startups, a LeITA busca formar uma nova mentalidade dentro do Instituto, conectando alunos, ex-alunos, fundadores, investidores e o mercado em torno de um mesmo propósito: transformar capacidade técnica em impacto real.

– Empreender também pode ser o caminho
A criação da LeITA surgiu da percepção de uma desconexão importante dentro do ambiente acadêmico.

Apesar da sólida formação técnica do ITA, muitos alunos ainda enxergavam apenas trajetórias tradicionais após a graduação, como carreira na indústria, mercado financeiro ou pós-graduação no exterior.

“Empreender quase nunca aparece como opção real, não por falta de talento, mas por falta de exposição” – reflete Gustavo Lima (T28), presidente da LeITA.

Segundo os integrantes da iniciativa acadêmica, faltava um espaço onde os alunos pudessem aprender sobre validação de ideias, construção de produto, relacionamento com clientes e desenvolvimento de negócios – competências que raramente aparecem na formação tradicional de engenharia.

Foi dessa lacuna que nasceu a LeITA, para encurtar a distância entre o aluno do ITA e o ecossistema empreendedor.

– Uma nova mentalidade dentro do ITA
Mais do que ensinar a abrir startups, a LeITA busca ampliar repertórios.

A proposta é criar uma comunidade em que empreender deixe de ser visto como exceção e passe a ser uma escolha possível e respeitada dentro do ITA.

Isso significa desenvolver um tipo diferente de raciocínio: menos baseado em problemas com resposta definida e mais focado em incerteza, adaptação e construção prática.

“Empreendedor não recebe um enunciado: ele descobre o problema, define o escopo, e ainda assim pode estar errado” – alerta o vice-presidente da LeITA, Bernardo Vendramini (T28).

Dentro da LeITA, os alunos aprendem que uma boa tecnologia, sozinha, não garante sucesso. É preciso entender pessoas, validar hipóteses, ouvir o mercado e adaptar soluções rapidamente.

– Aprender fazendo
Na prática, a LeITA aposta menos em teoria e mais em exposição real ao ecossistema empreendedor.

A iniciativa promove encontros com founders, eventos de networking, mentorias, visitas técnicas e experiências imersivas que aproximam os alunos de quem está construindo empresas agora.

Um exemplo marcante foi a realização de um hackathon em parceria com a Lovable, em que participantes tiveram apenas dois dias para encontrar um problema relevante e desenvolver uma solução.

Da experiência nasceu um software voltado para análise de crédito, que atualmente já possui clientes reais e segue em expansão.

“O aluno aprende mais ouvindo um founder descrever uma decisão difícil real do que lendo dez livros de empreendedorismo” – constata Gustavo.

Além disso, a liga também trabalha para desconstruir uma visão distorcida sobre empreendedorismo que, segundo os integrantes, ainda existia dentro do ITA.

“Precisávamos mostrar que empreender não significa abandonar tudo de forma irracional. Existem diferentes caminhos possíveis” – aponta Bernardo.

– Conectando o ITA ao mercado
Em pouco tempo, a LeITA conseguiu construir conexões relevantes com o ecossistema de inovação brasileiro.

A aproximação com empreendedores, investidores e ex-alunos foi acelerada pela própria força da comunidade iteana, e fortalecida pelo apoio da ITAEx.

Em 2025, a equipe participou de eventos como o Web Summit Rio, organizou encontros com fundadores e criou conexões com iniciativas externas voltadas à inovação e aceleração de startups.

Segundo os alunos, esse contato ainda durante a graduação muda profundamente a formação profissional.

“Quem foi treinado para buscar a solução ótima aprende que, no mercado, as decisões quase nunca são perfeitas, elas são contextuais” – explica Natan Pepeliascov (T29), diretor de Eventos da LeITA.

O resultado é uma formação mais próxima da realidade, onde restrições de tempo, recursos e execução passam a fazer parte do processo de aprendizado.

– Empreender dentro do ITA
Conciliar empreendedorismo com a rotina intensa do ITA não é simples.

Os integrantes reconhecem que a carga acadêmica exige organização, disciplina e maturidade para tratar projetos de forma profissional.

“Empreender no ITA é possível, mas exige tratar como projeto sério, não como hobby”- alerta Vinícius.

Ainda assim, a percepção é de que o cenário está mudando rapidamente.

Com ferramentas mais acessíveis, redução do custo de validação de produtos e maior visibilidade de founders brasileiros bem-sucedidos, o empreendedorismo começa a ganhar espaço entre as novas gerações de alunos.

O que antes parecia distante passa, aos poucos, a se tornar tangível.

A LeITA faz parte do GTEMP (Grupo de Trabalho de Empreendedorismo do ITA), liderado pela Prof. Dra. Sueli Sampaio Damin Custódio.

– Ponte entre gerações e oportunidades
O fortalecimento da LeITA também passa pelo apoio da ITAEx.

Além do suporte institucional e financeiro, a Associação de Ex-alunos Apoiando o ITA tem papel fundamental ao conectar estudantes com profissionais experientes, empreendedores e referências do mercado.

“O ativo mais escasso hoje não é dinheiro, e sim tempo de pessoas experientes dispostas a orientar” – aponta o diretor de Marketing da LeITA, Vinícius da Cruz (T28).

Segundo os integrantes, a rede construída pela ITAEx acelera conexões que demorariam anos para acontecer naturalmente.

Esse acesso a mentores, fundadores e ex-alunos se tornou um dos pilares mais valiosos da iniciativa.

Outra apoiadora é Nameless, que aposta em fundadores ainda no início da jornada, e fortalece a conexão da LeITA com o ecossistema de inovação, reforçando a importância de investir não apenas em ideias, mas principalmente nas pessoas capazes de transformá-las em impacto real.

– Mudando o futuro do empreendedorismo no ITA
Nos próximos anos, a LeITA quer se consolidar como porta de entrada natural para qualquer aluno do ITA interessado em empreendedorismo, mesmo sem ter uma startup ou ideia definida.

A visão é criar uma cultura em que empreender seja uma opção legítima, estruturada e respeitada dentro do Instituto.

“Hoje, quando um aluno do ITA diz que vai empreender, a primeira reação ainda é estranhamento. Queremos mudar isso” – afirma Gustavo.

Mais do que formar startups, a liga quer formar alunos capazes de transformar conhecimento técnico em soluções relevantes para a sociedade.

E, aos poucos, essa transformação já começou.

– Composição da LeITA
Além da diretoria, relacionada abaixo, a LeITA tem quase 50 alunos participantes.

* Presidente: Gustavo Lima (T28)
* Vice Presidente: Bernardo Vendramini (T28)
* Diretor de marketing: Vinícius da Cruz (T28)
* Diretor de Eventos: Natan Pepeliascov (T29)

– O que move a LeITA

* Mentalidade empreendedora
* Networking de valor
* Execução e aprendizado contínuo
* Conexão com o mercado

– Aprendizados da Liga de Empreendedorismo do ITA

* A LeITA existe para encurtar a distância entre o aluno do ITA e o ecossistema empreendedor.
* Empreender no ITA é possível, mas exige tratar como projeto sério, não como hobby.
* O maior erro de quem começa é se apaixonar pela solução antes de entender o problema.

– Conecte-se à LeITA

Empresas, ex-alunos e profissionais interessados em apoiar o desenvolvimento do empreendedorismo dentro do ITA podem contribuir com mentorias, conexões, experiências e oportunidades para os alunos.

Cada interação fortalece um ecossistema que aproxima tecnologia, inovação e impacto real.

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