Engenheiro aeronáutico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), executivo com passagens marcantes por TAM, Oi e CVC e empreendedor no setor de aviação, Falco revisita escolhas profissionais, aprendizados da formação iteana e compartilha sua visão sobre o futuro do Instituto e da engenharia no Brasil.
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Da paixão pelos aviões ao ITA
A relação de Luiz Eduardo Falco com a aviação começou antes mesmo de sua entrada no ITA. Seu avô trouxe aviões para o Brasil na década de 1930 e realizava voos de demonstração pelo interior de São Paulo. Inspirado por essa herança familiar, Falco passou a infância fascinado por tudo o que envolvia o setor: construía aeromodelos, projetava protótipos e se interessava por tudo o que envolvia aviões.
A escolha profissional veio cedo. “Desde pequeno, já havia decidido que seria engenheiro aeronáutico”, relembra. Na época, diante das poucas opções de formação na área, o ITA surgiu como uma escolha natural. Ele ingressou na instituição aos 17 anos, com um objetivo claro: trabalhar diretamente com aviões.
Embora o Instituto estivesse ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), Falco não pretendia seguir a carreira militar. Seu foco estava em projetar, desenvolver e gerenciar aeronaves. Na escola, encontrou um ambiente singular que combinava rigor técnico, laboratórios de ponta e uma convivência intensa que ampliou sua visão sobre a própria profissão.
Nesse cenário, a rotina no H8, alojamento onde os alunos conviviam diariamente, teve papel importante nesse processo. Para o executivo, o ambiente ensinava uma competência essencial para cargos de liderança, a inteligência interpessoal – a capacidade de conviver, ouvir e compreender o fator humano.
“Os engenheiros são muito bons de conteúdo e ciências exatas, mas costumam não ser tão desenvolvidos em soft skills. O H8 é um exercício para você viver em comunidade.”
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Disciplina, confiança e formação
Entre os aprendizados que levou do Instituto, a Disciplina Consciente ocupa um lugar especial. Falco associa a experiência no ITA à formação de princípios que continuaram presentes em sua vida profissional.
Essa formação foi especialmente útil quando sua carreira o levou para posições de liderança. Para Falco, a confiança nas equipes é um reflexo prático do que aprendeu na graduação.
“Quando você parte do princípio de que os seus colaboradores são confiáveis e vão fazer as coisas bem feitas, você ganha muito mais produtividade.”
Na sua visão, uma organização precisa ter diretrizes e valores claros, mas sem cercear a autonomia e a criatividade das pessoas. As decisões devem ser distribuídas para que a inovação encontre espaço para acontecer.
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A escolha pela TAM
Ao se formar na “Gloriosa T82”, como é chamada por seus integrantes, Falco encontrou um mercado de trabalho favorável. Ele lembra que recebeu sete ofertas de emprego, incluindo oportunidades no setor financeiro, em consultorias e na Embraer.
Escolheu a TAM, então uma empresa ainda distante da dimensão que alcançaria nos 15 anos seguintes. Transitou por diversas áreas estratégicas e participou ativamente do processo de expansão da companhia. Foi lá também que voltou a trabalhar com colegas do ITA, entre eles Ruy Amparo (T82), Nelson Shinzato (T82) e Sérgio Novato (T81).

A experiência na TAM mostrou a Falco o poder de equipes multidisciplinares focadas em um propósito comum. Ele deixou a vice-presidência de marketing da TAM, em 2001
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Do setor aéreo à gestão de grandes negócios
Sua carreira o levou da aviação para o setor de telecomunicações. Na Oi, participou do lançamento da operação móvel, logo após a privatização do sistema Telebras e acompanhou a consolidação das operações fixa e móvel, permanecendo à frente da presidência da companhia entre 2001 e 2011.

Entre 2001 e 2011, esteve à frente da Oi
Posteriormente, em 2013 assumiu a presidência da CVC, conduzindo a operadora de turismo em uma fase de expansão que incluiu abertura de capital (IPO) e aquisições estratégicas.
Para ele, a mudança entre setores revelou uma característica importante da formação recebida no ITA: o conhecimento técnico é apenas a base. Para quem segue para a alta gestão, o segredo está em decifrar metas, métricas e o comportamento humano.
“Na verdade, você é um maestro e tem que fazer a orquestra tocar afinadíssima.”
Independentemente do segmento, Falco argumenta que os desafios da governança compartilham a mesma essência: estratégia clara, pessoas certas, execução impecável e alto poder de adaptação. Foi dessa percepção que surgiu uma das imagens mais marcantes dessa entrevista:

Em março de 2013 assumiu como CEO da CVC
“O ITA são os pilares. Você pode construir quantas casas quiser em cima deles, mas os pilares estão lá para te suportar.”
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O retorno à aviação
Depois de décadas em grandes empresas de diferentes setores, Falco retornou às suas origens na engenharia por meio da da Flex Aero. Fundada em 2006, iniciou suas atividades com transporte regional de carga e passageiros e, a partir de 2011, passou a concentrar sua atuação na aviação executiva, especializando-se em manutenção de aeronaves.

Em 2026, a Flex Aero celebra 20 anos, período marcado pela expansão de suas atividades. Hoje, a empresa atua na manutenção de jatos executivos e avança na manutenção de aeronaves de maior porte, incluindo aviões intercontinentais privados. Os planos de crescimento incluem uma nova base operacional em Cuiabá (MT), hub estratégico para atender a crescente demanda da aviação ligada ao agronegócio.
Para Falco, a manutenção aeronáutica envolve uma cultura de segurança e conformidade que precisa estar incorporada por toda a cadeia.
“A aeronave não é um carro. Ela é diferente. O carro anda na rua; é muito mais fácil. Você tem que aculturar o mercado como um todo.”
Mesmo ciente dos desafios logísticos e macroeconômicos locais, sua confiança no potencial do país segue inabalável. Dadas as dimensões territoriais e a dinâmica econômica do Brasil, o transporte aéreo se tornou indispensável.
“Brasil é fadado a dar certo”, afirma.

Ao lado do filho Nicholas Falco, diretor da Flex Aero
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Um ITA em constante transformação
Quase 50 anos após seu ingresso no Instituto, Falco acompanha as transformações do ITA e das estruturas criadas para apoiá-lo. Ele vê com bons olhos o amadurecimento de iniciativas como o ITA Endowment e a ITAEx, destacando a importância de a instituição diversificar suas fontes de receita e fortalecer a participação de sua comunidade de ex-alunos.
Para ele, a retribuição à universidade pode acontecer de diferentes formas: transferência de conhecimento, dedicação de tempo, mentorias voluntárias ou apoio financeiro.
“Cabe a nós, ex-alunos, ensinar o que nós aprendemos na vida para os novos estudantes do ITA.”
Nesse contexto, considera especialmente interessante a expansão do ITA para o Ceará, que pode abrir novas possibilidades para a formação em engenharia e para áreas relacionadas às características e demandas da região.
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Inovação e o futuro da engenharia
Falco defende que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de formar engenheiros e estimular a criação de empresas e setores de maior intensidade tecnológica. Entre os campos que considera promissores para a nova geração estão energia, engenharia renovável e inteligência artificial, além de novas áreas que podem surgir da combinação entre conhecimento científico, inovação e características naturais do País.
Para ele, o modelo de engajamento do ITA pode inspirar que ex-alunos participem da formação dos novos talentos.
“Eu sou partidário de que a gente tem que retroalimentar o modelo e dar nossa contribuição.”
A ideia resume também sua relação atual com o ITA: a formação recebida no passado continua gerando responsabilidades no presente.
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“Nunca abandone o seu sonho”
Ao falar diretamente aos estudantes que hoje ocupam as salas de aula e os alojamentos que ele conheceu aos 17 anos, Falco deixa um conselho focado em resiliência e foco: mantenham seus projetos e tenham paciência para construí-los.
“Nunca abandone o seu sonho. E tenha um pouco de paciência.”
A ansiedade por resultados imediatos, segundo ele, pode fazer com que os jovens deixem de perceber que grandes carreiras, projetos robustos e ideias inovadoras demandam tempo de maturação. Sua recomendação é simples: ter planos claros, trabalhar duro por eles e seguir em frente mesmo diante das dificuldades.
“Você tem que ter seus planos, tem que ter seus projetos e vai atrás deles. Se você acredita, eles acontecem. Claro, você tem que trabalhar.”
É uma visão que une as pontas de sua própria trajetória: do menino fascinado por aeromodelos ao líder empresarial que transformou múltiplos mercados, retornou à aviação e que, hoje, atua para garantir que os pilares do ITA continuem sustentando o futuro das próximas gerações de engenheiros do Brasil.
A formação recebida no Instituto permanece como uma referência. Os caminhos, como Falco demonstra em sua própria história, podem ser muitos.