Entre duas gerações, um novo capítulo: viver o ITA em momentos diferentes

Guilherme Lincoln Magalhães Ellery (T98) e seu filho Caio Henrique Silveira Ellery (T30) compartilham experiências, descobertas e expectativas sobre o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e acompanham de perto a chegada de seu novo campus no Ceará

O ITA sempre foi uma parte importante da história do engenheiro eletrônico Guilherme. Em 2026, porém, o Instituto ganhou um novo significado: passou a fazer parte também da rotina do filho, que acaba de iniciar sua trajetória como iteano.
Morando em Fortaleza, onde construiu sua carreira profissional, Guilherme agora acompanha Caio, vivendo experiências que, embora separadas por mais de duas décadas, guardam semelhanças surpreendentes. As conversas sobre o H8, as histórias de turma, o vocabulário peculiar dos iteanos e até as brincadeiras com veteranos aproximam as duas gerações.
Para Caio, a relação com o Instituto começou antes mesmo do vestibular. Ele cresceu ouvindo o pai falar sobre os cinco anos vividos no ITA e conhecendo, por meio dessas histórias, uma instituição que passou a despertar sua curiosidade.


Hoje, os dois acompanham uma nova etapa dessa história: Caio pode integrar a primeira geração de alunos a viver a expansão do ITA para o Ceará, seu estado natal.

Um sonho que ganhou um novo significado

A ideia de prestar o vestibular do ITA surgiu naturalmente para Caio. Desde cedo, demonstrava interesse e facilidade com números e lógica, e a Engenharia apareceu como uma escolha coerente.
Guilherme, por sua vez, procurou apresentar ao filho tanto as oportunidades quanto os desafios dessa escolha. A família chegou a visitar o ITA e o H8 ainda durante o Ensino Médio, para que Caio pudesse conhecer de perto o ambiente que pretendia viver.

“Foi muito bom poder ajudá-lo a refletir sobre essa escolha, apresentando e aprofundando com ele tudo o que o ITA tem de bom e o grande impacto que ele teve na minha vida. Ao mesmo tempo, tinha a preocupação de que Caio tivesse plena consciência dos desafios que viriam pela frente”, conta Guilherme.

A decisão, porém, sempre foi de Caio.

“Nunca tive qualquer pressão para que eu tentasse ITA. A decisão foi 100% minha”, afirma.

Agora, já dentro do Instituto, a percepção dele é ainda mais positiva. Uma das maiores surpresas foi justamente algo que conhecia apenas pelas histórias do pai: a força da convivência.

“A união de toda a turma é algo que eu não fazia ideia. Até imaginei que fosse fazer grandes amigos aqui dentro, mas não que me sentiria tão próximo de um grupo tão grande.”

Para os dois, a experiência pode ser resumida de uma maneira simples e afetiva:

“Um sonho realizado que se tornou uma segunda casa.”

O que muda, e o que permanece

Mais de três décadas separam a T98 da T30. Nesse intervalo, o ITA passou por transformações importantes, especialmente em infraestrutura, currículo, conexão com o mercado e atividades extracurriculares.
Guilherme percebe uma evolução significativa na estrutura oferecida aos alunos e na forma como a escola estimula a participação na comunidade iteana.
Para Guilherme, a evolução aparece ainda na ampliação das iniciativas estudantis e na preocupação com uma formação cada vez mais ampla.

“Tudo isso fortalece ainda mais a formação ampla do futuro iteano.”

Caio percebe as mudanças a partir de outra perspectiva. A internet e a inteligência artificial ampliaram as possibilidades de aprendizado, enquanto o próprio ambiente do ITA se tornou mais estruturado.
Já as semelhanças aparecem principalmente na cultura e na formação de excelência.
Ao conversar com o pai, Caio se surpreende com a permanência de elementos que atravessam gerações.

“Sempre que conversamos, sinto que ele continua atual, pois os mesmos termos exóticos do vocabulário iteano já permeiam por décadas.”

Os “rachas”, as brincadeiras com os veteranos, os arquétipos de professores e outras tradições também ajudam a criar essa sensação de continuidade.

“A essência de excelência continua a mesma, com as tradições sendo preservadas, em especial a Disciplina Consciente.”, afirma Guilherme.

Da bolha do vestibular para uma comunidade

Caio chegou ao ITA disposto a aproveitar as oportunidades que vão além da sala de aula. Como primeiranista, participa do Centro Acadêmico Santos Dumont (CASD), por meio da Diretoria de Bem-Estar (CARE), e do ITA Bits.
Na CARE, iniciativa voltada à saúde da comunidade iteana, encontra uma possibilidade de contribuir para o ambiente que passou a integrar. No CASD, começa a ampliar sua convivência e a enfrentar um desafio pessoal.

“Fazer parte da missão do CASD em cuidar do H8 é algo muito gratificante e que tem me ajudado a sair do lugar de timidez e a conversar e conviver com diversas pessoas com as quais não teria contato não fosse a iniciativa.”

Já no ITA Bits, encontrou uma atividade diretamente relacionada ao seu interesse por programação e ao gosto por desafios.
Para Caio, as iniciativas estudantis têm um papel que ultrapassa a aquisição de conhecimentos específicos.

“Vejo como essencial na nossa formação como pessoa, como profissional e como iteano. Elas expandem os horizontes e os olhares de alunos que até pouco tempo viviam apenas na bolha do cursinho e do vestibular.”

Guilherme também participou de iniciativas durante sua graduação, como diretor do Departamento de Ordem e Orientação (DOO) e membro da Comissão de Estágios e Empregos (CEE). Hoje, vê com satisfação a variedade de possibilidades oferecidas aos alunos e incentiva o filho a explorá-las.

O engenheiro além da engenharia

A trajetória profissional de Guilherme também ajuda Caio a enxergar o futuro de maneira mais aberta.
Depois de formado pelo ITA, Guilherme construiu uma carreira em diferentes frentes, passando por educação, estratégia, inovação e gestão. Atualmente, é diretor de Inteligência e Inovação do Grupo Fornecedora, atuando em áreas como suporte a vendas, inteligência de mercado, estratégia, governança, excelência operacional, e-commerce e inovação.


Essa experiência reforçou uma percepção que Guilherme procura transmitir ao filho: a formação em engenharia não precisa determinar uma única trajetória profissional.

Para ele, o ITA é “um grande primeiro passo para uma trajetória profissional que inclua encarar contextos desafiadores e resolver problemas complexos, independentemente da posição que ocupe ou do segmento de mercado de atuação”.

Caio absorveu essa perspectiva.

É uma visão particularmente relevante para uma geração que chega à universidade em meio à rápida transformação provocada pela inteligência artificial.
Na avaliação de Caio, o engenheiro terá papel central justamente na combinação entre essas novas ferramentas e a capacidade humana de raciocinar e criar.

“O engenheiro é peça fundamental para usar essas ferramentas da melhor forma. Muitos avanços acontecem e seguirão acontecendo devido à união dessas tecnologias com o cérebro do engenheiro.”

Um novo capítulo para o Ceará

A história dos Ellery ganha uma dimensão especial com a expansão do ITA para Fortaleza.
Para Guilherme, que iniciou sua própria carreira profissional na capital cearense, a chegada do Instituto representa uma oportunidade de transformação para o Estado e para toda a região.
Ele vê no novo campus potencial semelhante ao impacto que o ITA teve no desenvolvimento de São José dos Campos, especialmente pela formação de profissionais capazes de atuar tanto no setor público quanto na iniciativa privada.

“Temos agora um contexto novo com a criação do campus do ITA no Ceará, que tem tudo para ser, na prática, um vetor importante de desenvolvimento do Estado e da Região.”

O desafio, segundo ele, será garantir que o crescimento da formação seja acompanhado pela capacidade de absorção desses talentos pelo mercado.
Historicamente, muitos estudantes cearenses aprovados no ITA acabam construindo suas carreiras longe do Estado. A proximidade física proporcionada pelo novo campus pode contribuir para mudar esse cenário.
Caio, que nasceu em Fortaleza, vê a possibilidade de participar desse processo como algo ainda mais significativo.

“Tive a sorte de o local escolhido ser a minha cidade, da qual tenho muito orgulho, e mal vejo a hora de fazer parte dessa história como um dos pioneiros no ITA em Fortaleza.”

Cada um escreve a própria história

Apesar da proximidade entre suas experiências, pai e filho fazem questão de reconhecer que cada trajetória será única.
Caio ainda está descobrindo quais caminhos pretende seguir. Hoje, demonstra interesse pelo novo curso de Engenharia de Sistemas, que terá seus primeiros alunos no ITA Ceará, justamente por sua proposta de visão holística e pelas possibilidades de atuação.
A carreira de Guilherme, por sua vez, mostra que o diploma pode ser apenas o começo de uma trajetória que passa por diferentes setores e funções.
Essa liberdade é uma das coisas que Caio mais valoriza na formação que escolheu.

“É bom ter os conselhos de alguém que trilhou pedaços de caminho parecidos com os seus, mas sempre ouvi que tanto eu quanto meus dois irmãos somos indivíduos e não nos foi gerada nenhuma expectativa ou pressão pelas conquistas dos nossos pais ou um do outro.”

Guilherme também deixa ao filho um conselho que ultrapassa a vida acadêmica: aproveitar o tempo no Instituto, construir relações e desenvolver equilíbrio para enfrentar um mundo em constante transformação.

“Que ele busque desenvolver a capacidade de adaptação e resiliência; questione sempre o status quo e equilibre os diversos aspectos da vida para ter longevidade, profissional inclusive, buscando conhecimento e excelência no trabalho, mas também dedicando tempo para si, sua família e seus amigos.”

No fim, talvez seja justamente essa combinação entre continuidade e liberdade que defina a experiência dos Ellery.
Guilherme transmite ao filho as memórias, os valores e os aprendizados de uma geração.
Caio acrescenta novas experiências, novas perguntas e uma visão própria sobre o futuro.
E, enquanto o ITA escreve um novo capítulo no Ceará, pai e filho passam a compartilhar algo que até pouco tempo pertencia apenas às histórias de Guilherme: a experiência de ser iteano.

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