Aos 14 anos, ainda aluno da oitava série do Colégio Militar do Rio de Janeiro, Fábio Avila de Castro já havia decidido o que queria ser: engenheiro eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e militar. A inspiração veio de uma entrevista concedida pelo então reitor, o Brigadeiro Engenheiro Tércio Pacitti (T52), à revista Veja, em 1982.
Mais de 35 anos depois de se formar no ITA, Fábio continua ligado à comunidade iteana como presidente do Conselho Fiscal da ITAEx.
A escolha pela engenharia eletrônica tinha também um componente de curiosidade diante de um futuro que começava a se desenhar.
“A decisão foi mais por conta de uma visão futurista da minha parte. Naquela época, em um mundo totalmente analógico, um moleque de 14 anos tinha muito pouca informação sobre a realidade do mundo.”
A experiência no ITA, entretanto, foi muito além da formação técnica. Entre laboratórios, provas, dificuldades, “bizus” e o desenvolvimento da resiliência, Fábio destaca uma experiência que considera singular: a convivência no H8.
“Convivi com pessoas absolutamente geniais e, melhor, com perspectivas de raciocínio e de vida completamente diferentes das minhas. Os colegas mais próximos viram família e te acompanham o resto da vida. Em que universidade você encontra isso? Só no ITA!”

A história de sua escolha pelo ITA ainda ganhou um capítulo curioso: Marcos Pacitti, filho do então reitor que havia inspirado Fábio, foi seu colega de turma e, posteriormente, de trabalho no Instituto de Estudos Avançados (IEAv), subordinado ao então CTA, hoje DCTA – Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial.
Da bancada do laboratório à gestão
Fábio construiu uma trajetória profissional que atravessou diferentes áreas. Foi oficial engenheiro da Força Aérea Brasileira (FAB), atuando como pesquisador na área de sensores a fibra óptica no IEAv, e gerenciou um projeto de pesquisa de sensores para navegação inercial.
A experiência de gestão veio cedo. Ainda como tenente, assumiu a gerência do projeto e precisou deixar a bancada do laboratório para lidar com planejamento, orçamento, recursos humanos e reuniões administrativas, uma mudança que, inicialmente, não o entusiasmava.
Foi o então diretor do IEAv, Coronel Gastão de Irajá Rodrigues (T76), quem o convenceu a assumir aquela “responsabilidade não tão atraente”. A experiência acabou se transformando em uma das principais lições de sua carreira.

“Os projetos só encontram sucesso se há um bom planejamento, aliado a um fluxo orçamentário tempestivo e, principalmente, a pessoas comprometidas. No fim, a equipe é o que mais importa, porque ela será capaz de lidar com os imprevistos e superar as dificuldades”, reconhece o presidente do Conselho Fiscal.
Em 1995, o projeto recebeu um orçamento de US$ 5 milhões. Com o trabalho da equipe, foi possível adquirir equipamentos sofisticados e construir um dos laboratórios de sensores a fibra óptica mais modernos do País, que se tornou legado para novas gerações de pesquisadores do IEAv.
Depois de quase 11 anos na FAB, período em que chegou ao posto de capitão, seguiu uma nova direção profissional e ingressou na Receita Federal do Brasil, em 1999. A partir de 2010, passou a atuar na então Coordenação de Estudos Econômicos Tributários, aprofundando seu interesse pela economia da tributação e pelos impactos das políticas públicas no desenvolvimento do Brasil.
A experiência também o aproximou da docência. Professor na área de arrecadação nos cursos de formação da Receita Federal, Fábio aprofundou sua formação acadêmica com mestrado em Economia do Setor Público pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorado em Economia pela mesma universidade. Atualmente, é professor colaborador do Departamento de Economia da UnB.
Conhecimento como caminho
A busca pelo conhecimento é um elemento que atravessa sua trajetória. E não apenas pela formação acadêmica. Fábio conta que continua interessado em matemática, história e economia e, mais recentemente, passou a se dedicar à filosofia da ciência. Também retomou a leitura de ficção e dos clássicos da literatura brasileira.
“Sempre busquei estudar, porque quanto maior o seu conhecimento, maior a dimensão da sua ignorância e, consequentemente, maior a sua humildade”, resume.
A família também ocupa espaço importante em sua vida. Fábio é pai de Laura Regina, 22 anos, jogadora de futebol feminino e graduada em cinesiologia e ciência do exercício pelo Goshen College, nos Estados Unidos, e de João Francisco, 20 anos, estudante de Direito no Centro Universitário de Brasília (CeUB) e de Ciências Contábeis na UnB.
Nas horas vagas, Fábio gosta de estar com a família e acompanhar os jogos de Laura, uma paixão que criou uma divertida divisão futebolística em casa: ela é flamenguista, enquanto Fábio e o João são vascaínos.

Um novo capítulo na ITAEx
É essa trajetória diversificada que Fábio leva para a ITAEx. Na presidência do Conselho Fiscal, pretende contribuir especialmente para o fortalecimento da governança e da transparência da Associação.
“O que posso oferecer ao Conselho Fiscal é ‘traduzir’ o modo de pensar do servidor público na compreensão dos problemas do dia a dia”, explica.
A experiência com o setor público trouxe uma perspectiva particularmente relevante na relação com o ITA, uma instituição pública de ensino. O desafio, segundo Fábio, é conciliar cautela, legalidade e governança com a capacidade de inovação.
“O papel do Conselho Fiscal é apoiar a administração da ITAEx nesse contexto, de forma a respeitar o tempo da Associação e proporcionar boas soluções à melhoria da governança e transparência. Não desprezando, claro, as possibilidades de mudança que uma boa dose de ousadia pode trazer.”
A nova gestão do Conselho Fiscal deverá, segundo ele, trabalhar no aprimoramento dos relatórios contábeis e fiscais e dos controles internos, buscando ampliar a transparência administrativa.
Mas Fábio faz questão de afastar a ideia de uma atuação individual.
“Eu aprendi que não existe ‘minha gestão’. Eu sou apenas um mero organizador da equipe”, afirma, referindo-se aos demais integrantes do Conselho, Fernando Granziera (T80), Ricardo Ramos (T90) e Edson Tadao (T91).
Olhar para o futuro
Ao completar dez anos, a ITAEx vive, na avaliação de Fábio, uma fase de sucesso consolidado. O crescimento da comunidade iteana e o espírito empreendedor das novas gerações, acredita, poderão levar a Associação a novos patamares.
Entre os desafios, ele destaca a necessidade de aperfeiçoar continuamente a governança do ecossistema que reúne ITAEx, Fundo Endowment, Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA) e Fundação Casimiro Montenegro Filho (FCMF), considerando mudanças na legislação e os objetivos de cada instituição.
Outro ponto de atenção é a integração do campus ITA Fortaleza a esse contexto, com seus novos cursos e desafios.
Para Fábio, contribuir com a ITAEx é, antes de tudo, uma forma de retribuir.
“O ITA representa o meu eterno compromisso com o conhecimento, e contribuir para ampliar o sucesso da minha Alma Mater é o mínimo que poderia fazer em retribuição ao tanto que recebi por fazer parte da comunidade iteana.”
É uma relação construída há mais de quatro décadas, desde aquele adolescente de 14 anos que decidiu, depois de ler uma entrevista, que seria engenheiro eletrônico pelo ITA.
Hoje, o compromisso permanece, e ganhou uma nova forma.
“Após mais de 35 anos de formado, me considero abençoado por participar de uma Associação que apoia uma escola pública de engenharia de excelência, e com tradições marcantes como a Disciplina Consciente, o rigor acadêmico e a convivência no H8. Oferecer um pouco do meu tempo é minha contribuição singela pela gratidão imensa que carrego por ter cursado o ITA.”

E, para definir a maneira como procura conduzir sua vida, Fábio recorre a uma frase que costuma repetir:
“O mundo não é um lugar justo, mas ética é essencial.”


