Neste 8 de julho, Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, a ITAEx celebra com uma entrevista que apresenta uma reflexão sobre o papel da pesquisa na construção do futuro do Brasil.
Em um cenário de transformação tecnológica acelerada, o pesquisador científico deixa de ser apenas o produtor de conhecimento e passa a ocupar uma posição estratégica na conexão entre ciência, inovação, indústria e sociedade.
Para aprofundar essa discussão, conversamos com o Coronel Aviador da Reserva da Força Aérea Brasileira Lester de Abreu Faria (T04), 54 anos, graduado engenheiro eletrônico, mestre e doutor em Engenharia Eletrônica e Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde é professor adjunto na pós-graduação de Engenharia Eletrônica e Computação, e Ciências e Tecnologias Espaciais.
Sua atuação atual conecta academia, institutos de pesquisa, indústria e ecossistemas de inovação. É também pesquisador IV no SENAI-SP, pesquisador de pós-doutorado no Instituto Militar de Engenharia (IME), coordenador de Difusão do Conhecimento no projeto CPA-IA para a Indústria 4.0, além de atuar como empreendedor, investidor e conselheiro de startups.
Na entrevista, ele aborda temas como a formação do engenheiro no ITA, o papel dos institutos de pesquisa, os desafios do financiamento da inovação, a relação entre ciência e mercado, soberania tecnológica e o futuro das deep techs.
Sua visão aponta para um ponto central: o desafio do Brasil não está apenas em produzir ciência, mas em construir uma arquitetura capaz de transformar conhecimento em capacidade nacional.
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O pesquisador e sua formação
ITAEx – Como professor do ITA e ex-aluno, qual legado o Instituto teve em sua formação?
Lester – Na minha visão, o principal legado do ITA foi ensinar a pensar com profundidade e a agir com responsabilidade. O Instituto forma uma maneira de raciocinar em que competência técnica, disciplina, autonomia e compromisso com o País caminham juntos. Essa formação influenciou toda a minha trajetória como engenheiro, oficial da Força Aérea Brasileira (FAB), pesquisador, gestor, professor e empreendedor.
O ITA me deu uma base intelectual que levei para todas as fases da minha vida. A capacidade de decompor problemas complexos, raciocinar com método, trabalhar sob pressão e buscar a excelência foi decisiva nos projetos em que atuei nas áreas de defesa, microeletrônica, sensores, inovação industrial e tecnologias aplicadas.
Mas talvez o legado mais profundo seja outro:
O ITA me ensinou que conhecimento traz responsabilidade. Quem recebe uma formação dessa qualidade não pode utilizá-la apenas para benefício próprio.
Existe um compromisso moral de retribuir à sociedade, formando pessoas, desenvolvendo soluções, liderando projetos e abrindo caminhos para as próximas gerações.
O Instituto também me mostrou que o conhecimento só alcança seu verdadeiro potencial quando é colocado a serviço de problemas relevantes e complexos. Foi essa visão que norteou minha atuação na defesa, na pesquisa em microeletrônica, em sensores, inteligência artificial, tecnologias quânticas, inovação industrial e, principalmente, na formação de pessoas.
O legado do ITA não está apenas na excelência acadêmica, mas na formação de pessoas que assumem a responsabilidade de transformar conhecimento em desenvolvimento para o País.
É uma forma de pensar, de enfrentar desafios complexos e de assumir a responsabilidade por construir soluções que contribuam para o desenvolvimento do país.
ITAEx – O que torna a formação do ITA diferente quando pensamos em pesquisa e inovação? E qual seria a sua mensagem para os alunos que desejam seguir carreira científica?
Lester – O maior diferencial do ITA está na combinação entre rigor, autonomia e ambição técnica. O aluno é constantemente desafiado por problemas complexos, padrões elevados e uma cultura em que a excelência não é tratada como diferencial, mas como compromisso. Essa formação cria uma base extremamente sólida para a pesquisa e a inovação; porque inovar exige profundidade, método, resiliência e capacidade de lidar com a incerteza.
A carreira científica, para mim, nunca esteve isolada da vida prática. Sempre esteve conectada à engenharia, à defesa, à indústria, à sala de aula, à gestão e ao empreendedorismo.
Os grandes desafios contemporâneos exigem pesquisadores capazes de dialogar com diferentes ambientes.
O cientista do futuro precisará manter profundidade técnica, mas também desenvolver a capacidade de construir pontes entre conhecimento, sociedade e mercado.
Aos alunos, deixo uma mensagem muito simples: não esperem que a carreira esteja pronta. Construam a própria trajetória. Busquem bons orientadores, bons mentores, bons problemas, bons laboratórios, boas redes e boas causas. Não basta ser inteligente. É preciso ter disciplina, consistência e coragem para enfrentar desafios que realmente importam.
Não escolham a carreira científica apenas para publicar artigos ou acumular títulos. Escolham esse caminho se desejarem compreender problemas relevantes, desenvolver tecnologias, formar pessoas e abrir caminhos que ainda não existem.
A pesquisa exige paciência, rigor e coragem intelectual, mas continua sendo uma das formas mais poderosas de transformar conhecimento em desenvolvimento para o País e em oportunidades para as próximas gerações.
ITAEx – A criação dos cursos de Engenharia de Energias e Engenharia de Sistemas no ITA Fortaleza reflete desafios científicos e tecnológicos do século XXI. Que oportunidades de pesquisa essas áreas abrem para as novas gerações de engenheiros e pesquisadores?
Lester – A criação desses cursos no ITA, em Fortaleza, é estratégica e sinaliza algo muito maior. Os grandes problemas do século XXI não serão resolvidos por engenheiros que dominam apenas uma disciplina. Energia, sistemas complexos, inteligência artificial, sensoriamento, sustentabilidade, defesa, mobilidade e infraestrutura crítica estão cada vez mais interdependentes. O profissional do futuro precisará compreender não apenas a tecnologia, mas o sistema completo em que ela será aplicada.
Ao longo de mais de 25 anos de atuação em Ciência e Tecnologia (C&T) e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), passei a enxergar nessas áreas uma oportunidade extraordinária para o Brasil formar engenheiros capazes de desenvolver soluções de alto impacto tecnológico e econômico. Redes energéticas inteligentes, hidrogênio, armazenamento de energia, eletrificação industrial, sistemas autônomos, otimização de infraestruturas, modelagem de risco e tecnologias voltadas à soberania nacional são exemplos de campos em que o País pode se tornar referência mundial.

Em evento de negócios com o Embaixador do Cazaquistão, voltado ao fortalecimento de relações e negociações internacionais (2024)
Na minha própria trajetória, essa visão sistêmica foi decisiva. Atuei em ambientes muito diferentes: operação, engenharia, pesquisa, gestão, defesa, indústria e inovação, então, percebi que os problemas realmente relevantes raramente respeitam fronteiras disciplinares. Um projeto estratégico envolve logística, sensores, materiais, software, contratos, riscos, financiamento, certificação, operação e pessoas. Quem enxerga apenas uma dessas dimensões dificilmente consegue tomar as melhores decisões.
Por isso, acredito que esses novos cursos representam uma oportunidade de formar engenheiros menos especializados em áreas isoladas e mais preparados para atuar como arquitetos de soluções complexas. O Brasil precisa de profissionais capazes de integrar energia, dados, inteligência artificial, sustentabilidade, sistemas críticos e estratégia industrial. Essa é uma agenda de país, não apenas uma expansão acadêmica.
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O pesquisador e o ecossistema da ciência
ITAEx – O senhor acredita que os estudantes do ITA conhecem suficientemente as oportunidades oferecidas pelos institutos de pesquisa brasileiros? Que conselho daria a quem deseja seguir esse caminho?
Lester – Por experiência própria, posso afirmar que conhecem menos do que deveriam. Ao concluir a graduação, o aluno do ITA ainda tem poucas oportunidades de participar de projetos reais ou de interagir com os diferentes institutos de pesquisa que compõem o ecossistema nacional. Sai com uma excelente formação técnica, mas ainda precisa ampliar sua vivência em ambientes onde os problemas são multidisciplinares e exigem trabalho em rede. Afinal, ninguém constrói nada grandioso sozinho.
O Brasil possui institutos de pesquisa de excelência, que atuam em áreas estratégicas como defesa, aeroespacial, energia, materiais, saúde, manufatura avançada, microeletrônica, inteligência artificial e tecnologias quânticas. No entanto, essas instituições nem sempre aparecem para os estudantes como ambientes de protagonismo e inovação, mas apenas como alternativas acadêmicas. Isso limita a percepção sobre o enorme potencial que elas têm para desenvolver soluções de alto valor agregado.
Eu mesmo só compreendi plenamente a força desses institutos quando passei a atuar em projetos de alta complexidade na FAB e no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Foi ali que percebi que eles não são apenas lugares para fazer pesquisa, mas ambientes onde conhecimento se transforma em defesa, indústria, soberania e soluções aplicadas para o País.

Em evento internacional, durante agenda de negociações para cooperação tecnológica com a comitiva russa
Por isso, acredito que o aluno do ITA deveria ser exposto mais cedo a laboratórios, institutos de pesquisa, centros tecnológicos, empresas e órgãos de fomento.
O jovem engenheiro precisa entender que sua carreira não precisa escolher entre ciência, indústria ou empreendedorismo. As melhores trajetórias são justamente aquelas que conseguem transitar e conectar esses diferentes mundos.
Meu conselho é simples: quem deseja seguir a carreira científica deve buscar problemas grandes, complexos e multidisciplinares, e não apenas linhas de pesquisa convenientes.
Os institutos de pesquisa trabalham com desafios que muitas vezes o mercado ainda não consegue absorver, mas que serão decisivos no futuro. O aluno do ITA tem a formação necessária para ocupar esse espaço com protagonismo. Para isso, porém, precisa combinar profundidade técnica com visão de aplicação, capacidade de comunicação, liderança, e (por que não?) empreendedorismo, transformando conhecimento em soluções que cheguem à sociedade.

Assumindo o comando do IEAv (2017)
ITAEx – Neste Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, como define o papel do pesquisador no desenvolvimento tecnológico e econômico do Brasil?
Lester – O pesquisador é um dos agentes centrais da soberania de um país. Ele trabalha antes da urgência, antes da demanda explícita e, muitas vezes, antes que o mercado perceba o valor daquele conhecimento. Esse é o nosso papel. Os países que hoje lideram tecnologicamente e, consequentemente, economicamente compreenderam isso há muito tempo.
Ciência não é despesa. Ciência é infraestrutura estratégica e a base para alcançar níveis mais elevados de excelência, competitividade e soberania.
No Brasil, o pesquisador pode assumir um papel ainda mais amplo. Ele produz conhecimento, forma pessoas, dialoga com empresas, contribui para políticas públicas e transforma tecnologia em capacidade nacional. O pesquisador contemporâneo não pode se limitar ao laboratório. Precisa compreender o impacto de sua pesquisa, sua escala, suas aplicações, seus riscos e como ela pode responder aos grandes desafios da sociedade. A pesquisa científica atinge sua força máxima quando se transforma em capacidade para o país.

Durante workshop no IPT, como Coordenador de Difusão do Conhecimento do Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial para a Indústria 4.0 (CPA-IA), apresentando a plataforma IASMIN
Ao longo da minha trajetória, compreendi que o pesquisador não é apenas alguém que responde perguntas técnicas. Ele também forma pessoas, organiza conhecimento, cria caminhos, reduz incertezas e ajuda instituições a tomar decisões melhores. Como professor, pesquisador e líder de equipes, uma das minhas maiores responsabilidades tem sido justamente transformar conhecimento em direção e formar pessoas capazes de dar continuidade a essa construção.
Costumo dizer que uma parte importante do meu trabalho é “criar estrelas”: inspirar, orientar, desafiar e extrair o melhor de cada pessoa.
O pesquisador que forma outros pesquisadores, engenheiros, empreendedores e líderes multiplica seu impacto. Talvez esse seja um dos maiores legados da ciência: não apenas descobrir algo novo, mas formar pessoas capazes de ir além.
ITAEx – Como o ITA contribui para formar não apenas um pesquisador, mas também um profissional capaz de conectar ciência, indústria e inovação?
Lester – O ITA forma uma mentalidade rara: desenvolve rigor técnico, disciplina intelectual e compromisso com problemas complexos. Isso cria profissionais capazes de transitar entre ciência, engenharia, gestão, defesa, indústria e inovação. Mais do que ensinar a resolver problemas difíceis, o Instituto forma uma maneira estruturada, exigente e orientada a resultados de pensar. Essa capacidade permite conectar conhecimentos de diferentes áreas e enfrentar desafios cada vez mais complexos.
Essa é uma diferença fundamental.
O iteano aprende que a excelência técnica deve servir a um propósito maior.
Historicamente, esse propósito esteve ligado à construção de capacidades nacionais e da soberania tecnológica, em áreas como aeronáutica, setor aeroespacial, propulsão e tantas outras que colocaram o Brasil em posição de destaque no desenvolvimento de tecnologias complexas.
No meu caso, o ITA foi a base técnica e intelectual que me permitiu transitar por ambientes muito distintos: carreira militar, engenharia, pesquisa, microeletrônica, sensores, gestão de projetos, docência, inovação industrial e empreendedorismo. Essa capacidade de atravessar fronteiras não surgiu por acaso. Ela nasceu de uma formação baseada em método, lógica, disciplina e resiliência intelectual.
O ITA não forma apenas alguém capaz de resolver equações difíceis. Forma pessoas capazes de enfrentar problemas complexos, organizar o caos e construir soluções. Talvez essa seja uma de suas maiores contribuições: desenvolver profissionais que assumem a responsabilidade diante da complexidade.
Quando essa formação se combina com pesquisa, empreendedorismo e interação com empresas, surge um perfil extremamente diferenciado, capaz de transformar conhecimento científico em soluções concretas para a sociedade.

Durante a SpaceBR, feira de negócios do setor espacial, apresentando tecnologia desenvolvida por sua empresa (2024)
ITAEx – Como a pesquisa científica se conecta à geração de valor para empresas e para a sociedade?
Lester – A pesquisa científica gera impacto quando resolve problemas reais e ainda sem solução trivial. Quanto mais complexos e multidisciplinares forem esses desafios, maior tende a ser o valor gerado, desde que a pesquisa esteja conectada às necessidades da sociedade e do setor produtivo.
Para as empresas, isso significa mais eficiência, produtividade, redução de custos, segurança operacional, governança, mitigação de riscos, eficiência energética, novos produtos, diferenciação competitiva e acesso a novos mercados. Para a sociedade, representa avanços em saúde, mobilidade, segurança, sustentabilidade, conectividade, educação e qualidade de vida.
Hoje, atuando com tecnologias digitais, sensores, hardware, software, inteligência artificial e conectividade, vejo diariamente que a indústria não precisa de discursos abstratos sobre inovação. Ela precisa resolver problemas concretos: reduzir perdas, prever falhas, aumentar a eficiência, cumprir requisitos regulatórios e criar novas oportunidades de negócios. É nesse momento que a ciência deixa de ser apenas conhecimento e passa a gerar impacto.
Esse é um dos pilares da minha atuação: ser uma ponte entre tecnologias críticas e o desempenho das organizações.
Não se trata de tecnologia pela tecnologia, mas de tecnologia aplicada à longevidade, à governança, à eficiência e à competitividade das empresas. Quando o pesquisador compreende essa lógica, passa a dialogar com muito mais força com executivos, conselhos, engenheiros e investidores.
Costumo dizer que o pesquisador precisa aprender a transformar conhecimento em valor.
Uma empresa não compra um algoritmo, um sensor ou um modelo matemático. Ela compra previsibilidade, eficiência, mitigação de riscos, aumento de receita, vantagem competitiva e capacidade estratégica. Quando o pesquisador faz essa tradução, ele não reduz a importância da ciência; ao contrário, amplia seu impacto e aproxima a tecnologia de quem realmente pode transformá-la em soluções para a sociedade.

Apoiando a equipe universitária Baja, da qual era Coordenador de Desenvolvimento, durante a Competição SAE Baja Brasil (2022)
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O desafio da inovação no Brasil
ITAEx – Alguns especialistas defendem que o grande desafio do Brasil não é produzir conhecimento científico, mas transformá-lo em pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação nas empresas. Na sua experiência, o que ainda falta para fortalecer essa conexão?
Lester – Ainda falta construir uma ponte mais robusta entre o conhecimento e o mercado. O Brasil tem bons pesquisadores, universidades e institutos de pesquisa, mas ainda encontra dificuldades para transformar esse capital intelectual em desenvolvimento tecnológico contínuo, propriedade intelectual, protótipos validados, empresas de base tecnológica e soluções adotadas pela indústria. Produzimos ciência de qualidade, mas muitas vezes sem uma rota clara para a escala. Isso exige políticas públicas, governança e planejamento capazes de alinhar investimentos, prioridades estratégicas, infraestrutura de pesquisa e cooperação entre universidades, institutos e empresas.

Como Diretor de Operações (COO) do Instituto de Pesquisas da Facens, em Sorocaba, SP (2022)
Na prática, essa conexão só acontece quando cada ator compreende seu papel. A universidade produz conhecimento e forma pessoas. Os institutos de pesquisa ajudam a maturar tecnologias e reduzir riscos. As empresas trazem problemas reais, capacidade de escala e acesso ao mercado. Os investidores entram quando enxergam diferenciação, proteção tecnológica, potencial de crescimento e retorno. Ao governo cabe criar um ambiente de continuidade, financiamento e direcionamento estratégico. Quando um desses elos falha, toda a cadeia da inovação perde força.
Ao longo da minha carreira entre academia, governo e indústria, percebi que o Brasil precisa de mais pessoas capazes de fazer essa articulação. Esse tem sido um dos focos da minha atuação: ajudar empresas e instituições a transformar desafios em resultados concretos por meio da tecnologia, da inovação, da governança, do acesso ao fomento e da formação de equipes qualificadas. O País precisa de mais pontes e menos silos.

Como Diretor de Pesquisas do Centro Universitário Facens, durante a cerimônia de colação de grau (2022)
Para fortalecer essa conexão, precisamos de empresas mais dispostas a inovar com profundidade, pesquisadores preparados para dialogar com o mercado e políticas públicas que apoiem toda a jornada da inovação. Não basta financiar a pesquisa inicial. É preciso apoiar a travessia até a solução aplicada.
O Brasil só dará um salto consistente quando deixar de tratar ciência, indústria, investimento e empreendedorismo como mundos separados e passar a enxergá-los como partes de um mesmo ecossistema.
ITAEx – Além de produzir conhecimento, a pesquisa precisa gerar impacto. Como políticas de fomento e mecanismos de financiamento podem acelerar a transformação de pesquisas em soluções para a sociedade e para a indústria?
Lester – Sob a ótica não apenas de pesquisador, mas também de empreendedor e conselheiro de empresas, acredito que o Brasil precisa deixar de financiar apenas a geração de conhecimento (que muitas vezes permanece restrita a artigos, teses e dissertações) e investir de forma mais consistente na travessia entre ciência e aplicação. Temos excelentes pesquisadores, boas ideias e laboratórios qualificados, mas muitas iniciativas morrem no caminho entre o artigo científico e a solução validada. Não geram patentes nem se transformam em produtos capazes de impulsionar a inovação.
É justamente no chamado “vale da morte” da inovação, quando a tecnologia ainda não está pronta para o mercado, que as políticas de fomento precisam atuar com mais força.
Mais do que financiar temas isolados, elas devem apoiar missões estratégicas, sustentadas por um planejamento de longo prazo, independente de governos e orientado por uma política de Estado voltada ao desenvolvimento tecnológico do país.
Vivi essa travessia na prática, como pesquisador, gestor e empreendedor. Em muitos casos, a tecnologia existe, a competência técnica existe e o laboratório existe. O que falta é o mecanismo capaz de conectar tudo isso a uma demanda real, a um cliente, a um investidor, a uma empresa capaz de escalar a solução ou a uma política pública com continuidade. É nessa lacuna que muitas boas ideias acabam morrendo.
Por isso, considero fundamental pensar o fomento como uma esteira completa: pesquisa básica, prova de conceito, prototipagem, validação, propriedade intelectual, ensaios em ambiente relevante, conexão com empresas, financiamento da escala e inserção no mercado. Financiar apenas o início da jornada é insuficiente.

Durante missão na Alemanha para o fortalecimento da cooperação internacional e o desenvolvimento de projetos do Programa MOVER (Rota 2030), do Governo Federal, em reunião na Technische Hochschule Ingolstadt (THI)
A inovação acontece quando existe governança para levar a tecnologia até o ponto em que ela efetivamente gera valor.
Quando governo, empresas, universidades e institutos de pesquisa se organizam em torno de problemas concretos, a pesquisa ganha direção, foco e impacto.
Ciência sem continuidade se dispersa. Já a ciência apoiada por estratégia e por uma política de Estado torna-se um verdadeiro motor do desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do Brasil.
ITAEx – Quais são hoje os principais desafios para fazer pesquisa de excelência e transformar conhecimento em inovação no Brasil?
Lester – O primeiro desafio é garantir continuidade. Pesquisa de excelência exige tempo, infraestrutura, financiamento previsível, equipes estáveis e acúmulo de competências. O Brasil tem uma tendência preocupante de iniciar bons programas e interrompê-los antes que amadureçam. Tecnologia de ponta não nasce em ciclos curtos de entusiasmo, mas de consistência, método, persistência institucional e políticas de Estado sustentadas por planejamento estratégico e gestão financeira de longo prazo.
O segundo desafio é reduzir a distância entre a pesquisa e a demanda real. Produzimos conhecimento de qualidade, mas muitas vezes sem uma rota clara para prototipagem, validação, propriedade intelectual, adoção industrial e escala. Cada etapa dessa jornada tem um papel: as universidades impulsionam as fases iniciais da pesquisa; os institutos de ciência e tecnologia ajudam a superar o “vale da morte” da inovação; e as empresas são essenciais para absorver a tecnologia, escalá-la e levá-la ao mercado.
Na minha visão, o Brasil não sofre por falta de inteligência ou de competências instaladas. Sofre por falta de arquitetura de execução. Minha experiência na FAB, no ITA, no SENAI, em projetos de P&D e na iniciativa privada mostrou que ainda mantemos separados mundos que deveriam atuar de forma integrada. A universidade pesquisa, os institutos desenvolvem, as empresas reclamam da distância, os investidores têm dificuldade para compreender o risco tecnológico e o governo financia em ciclos descontínuos. Essa fragmentação destrói valor.
O que falta é uma visão mais madura de gestão do desenvolvimento tecnológico. Precisamos definir áreas estratégicas, formar equipes qualificadas, manter infraestrutura, criar rotas de maturação tecnológica, aproximar as empresas desde o início e medir resultados.
Não basta ter bons pesquisadores. É preciso ter estratégia, gestão e continuidade para transformar competência em inovação e desenvolvimento.
Transformar ciência em inovação exige muito mais do que conhecimento. Exige liderança, gestão, financiamento, mercado, regulação e uma visão de longo prazo.

Projeto conjunto de P&D realizado na Technische Hochschule Ingolstadt (THI), Alemanha (2022)
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Ciência, tecnologia e soberania
ITAEx – O senhor atuou em projetos estratégicos da FAB, na pesquisa em microeletrônica e também em iniciativas internacionais. Como a ciência contribui para a soberania e a competitividade no País?
Lester – A ciência contribui para a soberania de um país quando é capaz de reduzir dependências críticas. Em áreas como defesa, setor aeroespacial, sensores, microeletrônica, inteligência artificial, comunicações seguras e tecnologias quânticas, não basta comprar tecnologia pronta. Quem faz isso permanece dependente de quem projeta, controla, atualiza, restringe e decide como essa tecnologia será utilizada.
Minha trajetória na FAB, no ITA e em projetos de pesquisa em microeletrônica e sensores mostrou que soberania tecnológica não significa fazer tudo sozinho, e sim dominar conhecimento suficiente para decidir com autonomia o que utilizar, adaptar soluções existentes, integrar tecnologias, agregar inteligência a sistemas já disponíveis, negociar em melhores condições, proteger interesses nacionais e desenvolver capacidades próprias.

Ao lado de Ozires Silva e de Oficiais-Generais da FAB, durante as comemorações dos 50 anos da EMBRAER (2019)
A experiência internacional reforçou ainda mais essa percepção. Ao participar de projetos de alto valor agregado e interagir com organizações de outros países, fica evidente que tecnologia também é poder. As nações mais desenvolvidas não tratam conhecimento sensível como uma mercadoria comum. Elas o protegem, estruturam, financiam e o utilizam como um ativo estratégico.
Na FAB, essa visão se traduz de forma muito concreta. Uma decisão técnica nunca é apenas técnica. Ela envolve disponibilidade operacional, segurança, autonomia, manutenção, fornecedores, logística, orçamento, riscos e, acima de tudo, interesse nacional. Tive a oportunidade de vivenciar essa realidade na Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), experiência que consolidou minha convicção de que a melhor ciência é aquela que amplia a liberdade de decisão do país.
Uma nação competitiva não é aquela que apenas consome tecnologia. É aquela que compreende o conhecimento, transforma ciência em aplicações de alto valor agregado e fortalece sua indústria, sua defesa, sua infraestrutura, sua capacidade de exportação e, sobretudo, sua influência no cenário internacional.

Fotografia que integra o quadro de ex-diretores do IEAv, por ocasião da cerimônia de transmissão de direção da instituição (2020)
ITAEx – Durante sua carreira na FAB, o senhor participou de projetos estratégicos de defesa e modernização de aeronaves. Como a pesquisa científica contribui para a soberania tecnológica de um país?
Lester – Na área de defesa, soberania tecnológica não é um conceito abstrato. É a capacidade concreta de operar, manter, adaptar, proteger e evoluir sistemas críticos. Um país pode adquirir equipamentos avançados, mas continuará vulnerável se não dominar os conhecimentos que sustentam essas tecnologias. Sem essa capacidade, torna-se dependente de fornecedores externos e perde autonomia para decidir em questões estratégicas e geopolíticas. Essa percepção ficou muito clara durante o período em que estive à frente do PROPHIPER, projeto voltado ao desenvolvimento de propulsão hipersônica no Instituto de Estudos Avançados (IEAv).
Como piloto e oficial da FAB, aprendi desde cedo que decisões técnicas têm consequências operacionais reais.
Em aviação, defesa e sistemas críticos não há espaço para improviso. A disciplina, a liderança e a capacidade de decidir sob pressão moldaram minha forma de atuar na pesquisa e na gestão tecnológica.
Essa experiência me mostrou que a soberania se constrói com método, preparo e domínio técnico.
Também compreendi que modernizar sistemas, negociar contratos, integrar tecnologias e manter capacidades operacionais exige muito mais do que adquirir equipamentos. É necessário desenvolver conhecimento local, formar equipes qualificadas, investir em engenharia, logística, documentação, testes, manutenção e gestão do ciclo de vida. É isso que diferencia um país que apenas opera tecnologia daquele que é capaz de compreendê-la, adaptá-la e evoluí-la.

Ministrando aula de Guerra Eletrônica para alunos do Curso de Especialização em Análise do Ambiente Eletromagnético (CEAAE), do ITA (2015)
Os projetos estratégicos de defesa demonstram que tecnologia não é apenas um equipamento. É conhecimento acumulado, engenharia, testes, integração, doutrina, pessoas, fornecedores, infraestrutura e capacidade de decisão. A pesquisa científica sustenta toda essa cadeia. Sem ciência, tecnologia e desenvolvimento próprio, um país permanece dependente de soluções externas. Com uma base científica sólida, conquista autonomia para construir seu futuro e exercer sua soberania tecnológica.
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O futuro da inovação
ITAEx – O senhor trabalha com deep tech, inteligência artificial e ecossistemas de inovação. Quais tecnologias devem transformar a indústria brasileira na próxima década?
Lester – Pelas tendências que acompanho e pela experiência que acumulei ao longo da carreira, acredito que alguns vetores tecnológicos serão decisivos na próxima década. Inteligência artificial aplicada a problemas reais, sensores inteligentes, engenharia de sistemas, gêmeos digitais, manufatura avançada, novos materiais (como o grafeno), conectividade industrial e cibersegurança formarão a base da transformação digital da indústria.
Na minha atuação atual no SENAI-SP, liderando iniciativas em tecnologias digitais avançadas, sensores, hardware, software, inteligência artificial e conectividade, vejo que a indústria brasileira tem enorme potencial, ainda pouco explorado. O desafio não é conhecer essas tecnologias, mas aplicá-las onde existam problemas concretos, retorno mensurável e possibilidade de escala.

Como pesquisador líder da área de Gêmeos Digitais do SENAI-SP, atuando no desenvolvimento de soluções para a Indústria 4.0. (2024)
Também considero as tecnologias quânticas uma fronteira estratégica. Minha formação recente nessa área reforçou a percepção de que estamos diante de uma transformação profunda, com impactos em segurança, simulação, sensoriamento, otimização e capacidade computacional. O Brasil não pode chegar atrasado a essa nova onda. Precisamos formar pessoas, desenvolver aplicações e conectar essa agenda à indústria, à defesa e aos centros de pesquisa.
Vejo ainda a robótica, os sistemas autônomos e a chamada IA física como tecnologias que ganharão cada vez mais relevância. Mas o principal não são as tecnologias isoladamente. O verdadeiro diferencial está na capacidade de integrá-las para resolver problemas complexos. O valor nasce quando elas atuam em conjunto, formando um ecossistema em que o todo é maior do que a soma das partes.
Na próxima década, as empresas mais competitivas serão aquelas capazes de transformar dados em decisões, automação em produtividade e ciência em novos modelos de negócio.
A indústria brasileira precisa utilizar essas tecnologias para enfrentar desafios concretos, como desperdícios, baixa produtividade, falhas de qualidade, ineficiência energética, riscos operacionais e perda de competitividade.
Deep tech não pode ser tratada como moda ou hype. Ela só faz sentido quando muda a curva de desempenho das empresas e fortalece a competitividade do País.
ITAEx – Como o pesquisador pode dialogar melhor com investidores, empresas e formuladores de políticas públicas?
Lester – Além de desenvolver uma sólida formação técnica, o pesquisador precisa investir em competências como comunicação, liderança e capacidade de articulação. Antes de tudo, deve aprender a falar quatro linguagens diferentes: a da ciência, a do mercado, a do risco e a das políticas públicas.
Essa capacidade de tradução tornou-se parte essencial da minha própria trajetória. Ao atuar como pesquisador, consultor, conselheiro, empreendedor, sócio de empresas e investidor em startups, percebi que uma mesma tecnologia precisa ser apresentada de maneiras diferentes para públicos distintos.
O cientista busca consistência metodológica. A empresa quer impacto operacional. O investidor procura escala, diferenciação e retorno. Já o governo busca desenvolvimento, soberania e benefício para a sociedade.
O pesquisador que não domina essas diferentes linguagens acaba restrito ao seu próprio ambiente. Já aquele que consegue fazer essa tradução passa a influenciar decisões, captar recursos, construir parcerias, atrair empresas, contribuir para políticas públicas e transformar conhecimento em produtos, negócios e capacidade institucional.
Para dialogar com as empresas, é preciso demonstrar impacto operacional e econômico, mostrando como a tecnologia contribui para os resultados do negócio. Com investidores, é fundamental explicar potencial de escala, barreiras de entrada, diferenciais competitivos e retorno sobre o investimento. Já para os formuladores de políticas públicas, o foco deve estar na contribuição da pesquisa para a produtividade, a soberania, o desenvolvimento e o bem-estar da sociedade. Isso não significa simplificar a ciência, mas comunicá-la com precisão para quem toma decisões. Quando o pesquisador consegue explicar com clareza o problema, a solução proposta, o estágio de maturidade tecnológica, os riscos, os custos, os impactos e o caminho para a aplicação prática, aumentam significativamente as chances de sua pesquisa gerar resultados concretos e alcançar escala. A ciência deve continuar profunda e transformadora, mas sua comunicação também precisa ser estratégica.
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Liderança e legado
ITAEx – Entre atuar como engenheiro, pesquisador, gestor e oficial da FAB, quais competências considera mais importantes para liderar projetos de alta complexidade?
Lester – A primeira competência é a visão sistêmica. Projetos de alta complexidade envolvem tecnologia, pessoas, orçamento, cronograma, riscos, fornecedores, instituições, regulação e decisões estratégicas. Quem olha apenas para o detalhe técnico perde a visão do conjunto. Quem olha apenas para a gestão perde a profundidade. Liderar projetos complexos exige integrar essas duas dimensões e compreender como cada decisão impacta o sistema como um todo.
A segunda competência é a capacidade de decidir em ambientes de incerteza. Em projetos estratégicos, raramente se dispõe de todas as informações necessárias. É preciso estruturar o problema, ouvir especialistas, avaliar riscos e tomar decisões responsáveis, mesmo quando não existem garantias absolutas. Essa habilidade diferencia quem apenas administra processos de quem realmente lidera.
A terceira é a comunicação. Muitos projetos não fracassam por limitações técnicas, mas por falta de alinhamento entre pessoas, equipes e instituições. Liderar significa transformar conhecimentos dispersos em uma direção comum, criando um propósito compartilhado entre todos os envolvidos.
Essas competências foram sendo construídas ao longo da minha trajetória em ambientes muito diferentes: operação aérea, manutenção, logística, desenvolvimento tecnológico, negociação internacional, pesquisa, docência, indústria e empreendedorismo. Cada experiência contribuiu de forma única para a minha formação.
A FAB me ensinou disciplina, responsabilidade e capacidade de decisão. O ITA me deu método e profundidade. A pesquisa trouxe rigor e paciência. A gestão desenvolveu articulação. E o empreendedorismo reforçou o pragmatismo, a disposição para assumir riscos e o foco na geração de valor.
Hoje, acredito que liderar projetos de alta complexidade exige uma combinação rara: profundidade técnica para não ser refém de análises superficiais, visão estratégica para conectar tecnologia a resultados, capacidade humana para formar equipes de excelência e maturidade para tomar decisões mesmo diante da incerteza. É essa combinação que permite transformar desafios complexos em soluções de alto impacto.
ITAEx – Qual é a importância de uma comunidade ativa de ex-alunos apoiadores para aproximar pesquisadores, empresas, investidores e instituições de pesquisa, criando novas oportunidades para os alunos do ITA?
Lester – Uma comunidade ativa de ex-alunos é uma das maiores forças estratégicas de uma instituição como o ITA. Nossos ex-alunos ocupam posições de destaque na indústria, no governo, nas Forças Armadas, em startups, fundos de investimento, universidades, institutos de pesquisa e organizações internacionais. Quando essa rede se organiza em torno de um propósito comum, deixa de ser apenas uma comunidade de memórias e passa a ser uma verdadeira infraestrutura de oportunidades, colaboração e geração de valor.
Na minha trajetória, networking nunca significou apenas relacionamento. Sempre foi uma infraestrutura de realização. Projetos complexos avançam quando pessoas competentes se conectam a problemas relevantes, instituições, capital e capacidade de execução.
Uma Associação como a ITAEx tem exatamente esse potencial: aproximar conhecimento técnico, liderança, mercado e oportunidades.
O iteano pode contribuir de muitas formas: mentorando alunos, abrindo portas nas empresas, conectando pesquisadores a investidores, aproximando institutos de pesquisa de demandas reais e ajudando a transformar bons projetos em iniciativas sustentáveis.
Uma rede forte reduz a distância entre talento e oportunidade, e isso é estratégico para uma instituição como o ITA.
Para os alunos, esse apoio é decisivo. Além de ampliar oportunidades, aproxima os jovens talentos de problemas reais, mentorias, projetos, empresas, investidores e diferentes possibilidades de carreira.
O ITA não termina na formatura. Muito pelo contrário. O verdadeiro valor da instituição aparece quando diferentes gerações permanecem conectadas para abrir caminhos, apoiar talentos e construir novas capacidades para o País.
Ouvi inúmeras vezes uma frase que resume bem esse espírito:
“iteano ajuda iteano”.
Mais do que um lema, ela representa uma cultura de colaboração que fortalece pessoas, projetos e o próprio futuro da ciência e da inovação brasileiras.
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NOTA DA ITAEx
As reflexões de Lester de Abreu Faria reforçam uma compreensão central sobre o papel da ciência no contexto contemporâneo: a produção de conhecimento, por si só, não é suficiente se não estiver articulada a mecanismos capazes de transformar esse conhecimento em capacidade tecnológica e impacto para o País.
Sua carreira evidencia a importância de formações sólidas em engenharia e pesquisa como base para atuação em múltiplas frentes da inovação: da academia à indústria, da defesa ao desenvolvimento de tecnologias emergentes.
