Entre aviões, motores e liberdade: o legado que une duas gerações no ITA

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) entrou na vida de Cassio Arthur Pagliarini (T80) há mais de 50 anos. Agora, volta a fazer parte da rotina da família por meio do filho, Caio Lazoski Pagliarini (T30), aluno do Fundamental e futuro candidato à engenharia Aeronáutica.
Separados por meio século entre a entrada no Instituto, pai e filho compartilham interesses semelhantes: engenharia, aviação, automóveis e tecnologia, mas também mostram como o ITA evoluiu ao longo das gerações sem perder sua essência.

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Um sonho construído pelo exemplo

A decisão de Caio não nasceu de uma expectativa familiar, mas de uma convivência natural com a história do pai. Desde pequeno, ouviu relatos sobre o H8, os amigos, os desafios acadêmicos e a intensidade da formação iteana. Ainda assim, demorou até acreditar que aquele caminho também poderia ser seu.

“Sempre pensei a respeito, mas só tomei a decisão em 2022, quando meu pai me trouxe para conhecer o ITA. Antes disso, eu gostava da ideia, mas achava que aquela jornada não era para mim por causa da dificuldade”, lembra.

Cassio nunca transformou esse desejo em cobrança, e reconhece que o filho cresceu cercado por esse universo, mas sempre fez questão de preservar sua liberdade para decidir.

“Não na pressão, mas no exemplo. Ele sempre viu o amor que eu tinha por aviões e automóveis e isso acabou o influenciando”, afirma.

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O ITA mudou. E isso é positivo.

Ao comparar o Instituto que conheceu no fim dos anos 1970 com o que o filho vive hoje, Cassio percebe mudanças importantes.

O vestibular tornou-se ainda mais competitivo, reflexo do aumento no número de candidatos e do prestígio crescente da instituição. Também destaca a evolução da estrutura de apoio aos alunos, tanto dentro quanto fora da sala de aula.

Para Caio, porém, uma das maiores transformações está nas pessoas. Na sua visão, o ITA tornou-se um ambiente mais diverso, onde diferentes perfis convivem de forma mais natural.

“Hoje há mais espaço para mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+. Os alunos não têm mais um perfil central. Essa troca de culturas e jeitos de pensar enriquece muito a formação”, observa.

Ao mesmo tempo, reconhece que aquilo que mais admirava nas histórias do pai continua presente: o espírito de comunidade, a convivência intensa no H8 e a disposição dos alunos para ajudar uns aos outros permanecem como marcas da cultura iteana.

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Muito além da sala de aula

Logo no início da graduação, Caio decidiu participar da equipe do ITA Júnior, especialmente na área comercial, e a experiência tem permitido conhecer, ainda durante a graduação, aspectos que normalmente aparecem apenas no início da carreira profissional.

Segundo o aluno, participar da iniciativa o ajudou a compreender como funcionam empresas, projetos, tomadas de decisão, relacionamento com clientes e organização de equipes.

Além do aprendizado técnico, a convivência com alunos de diferentes turmas ampliou sua compreensão sobre a própria vida universitária e sobre as possibilidades que o ITA oferece além da formação acadêmica.

Ao observar esse movimento, Cassio percebe uma evolução importante em relação à sua geração, e lembra que praticamente não teve contato com disciplinas voltadas às ciências humanas ou ao desenvolvimento de competências interpessoais. Boa parte dessas habilidades precisou ser construída ao longo da carreira.

Hoje, considera que iniciativas como ITA Júnior contribuem justamente para complementar a sólida formação técnica do Instituto.

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Um engenheiro pode construir muitos caminhos

A própria trajetória profissional de Cassio ajuda a explicar essa visão. Apaixonado por aviões, formou-se engenheiro aeronáutico e chegou a se preparar para atuar na Embraer. Durante o último ano do curso fez treinamento em ensaios em voo quando recebeu um convite inesperado para trabalhar na engenharia de uma montadora automobilística.

A oportunidade surgiu depois da publicação de um artigo sobre a conversão do próprio automóvel para funcionar com álcool, justamente no início do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), cuja origem também passou pelo então Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

A mudança definiu sua carreira. Ao longo das décadas seguintes, construiu uma carreira de destaque na indústria automotiva e hoje é sócio da Bright Consulting, empresa especializada em consultoria para os setores automotivo e de mobilidade.

Para Caio, acompanhar essa história ampliou sua forma de enxergar o futuro.

“Conversando com meu pai, consigo levar a faculdade de um jeito muito mais leve. Ela ajuda, mas não determina. Ver a experiência dele tira um peso enorme das costas”, afirma.

Ainda no Fundamental, ele prefere conhecer melhor cada especialidade antes de decidir definitivamente qual engenharia seguirá.

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Aprender também acontece na garagem

A relação entre pai e filho não se fortalece apenas nas conversas sobre carreira. Ela também acontece na prática.

Os dois costumam passar horas juntos trabalhando em carros antigos e no ultraleve da família, que Cássio mantém pessoalmente.

Recentemente, Caio comprou um Kadett 1991 e começou a descobrir que carros antigos exigem paciência, persistência e disposição para resolver problemas.

“A resposta curta é que aprendi a ouvir mais meu pai”, brinca.

Depois completa:

“Quando o carro quebra, a primeira coisa que faço é ligar para ele. Isso tem me ensinado muito sobre autonomia e sobre como lidar com problemas.”

Para Cassio, esses momentos representam muito mais do que ensinar mecânica. São oportunidades para transmitir experiência, dividir histórias e acompanhar o amadurecimento do filho.

“Vejo como ele aprende rápido os macetes e consegue resolver os desafios”, observa.

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Orgulho sem comparação

Embora compartilhem muitas paixões, Cassio faz questão de preservar a autonomia do filho.

Questionado sobre como equilibrar orgulho e liberdade, responde com bom humor.

“É difícil segurar. Ainda bem que minha esposa tem bom senso e não me deixa exagerar.”

Caio também sente que não precisa repetir a trajetória do pai.

“Estou sempre com os ouvidos abertos para os conselhos dele, mas sabendo que a decisão final é minha. Existe comparação, claro, mas vejo isso com naturalidade. Estou construindo a minha própria história.”

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Um voo que simboliza o legado

Entre todas as histórias que compartilham, existe uma que Cassio guarda como sonho,

Hoje, pai e filho voam juntos no ultraleve da família. Mas ele imagina um momento especial no futuro.

Quando a idade já não permitir que continue pilotando, espera ocupar o assento da direita enquanto Caio assume os comandos da aeronave.

“Quero ver o Caio pilotando solo o meu ultraleve. Será uma grande vitória.”

A imagem resume o significado dessa relação.

Mais do que transmitir a paixão por engenharia, aviões ou automóveis, Cassio deseja passar ao filho confiança, curiosidade, responsabilidade e liberdade para seguir o próprio caminho.

É justamente isso que torna a história da família Pagliarini
um retrato da proposta da série Gerações ITA.

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Ao completar dez anos, a ITAEx continua fortalecendo os laços entre ex-alunos e alunos, apoiando iniciativas acadêmicas como o ITA Júnior, e ajudando a construir um ambiente em que conhecimento, comunidade e experiência caminham juntos.

Algumas heranças não passam apenas pelo diploma; passam pelo exemplo, e, às vezes, também pelo momento em que um pai entrega ao filho os comandos de um voo.

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