O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) costuma transformar trajetórias individuais. Em algumas famílias, transforma também relações entre gerações. Na casa da família Saito, o ITA é ponte entre tempos diferentes.

Fabrício Saito (T91) viveu o Instituto em outra era: menos conectada, menos digital e com um Brasil muito diferente do atual (foto da T91)
Décadas depois, acompanha o filho Pedro Saito (T28) construir a própria história no mesmo campus, agora em um mundo movido por inovação, tecnologia e novas possibilidades.
O que une os dois não é a repetição. É a liberdade de escolher.
A escolha do filho, o orgulho do pai
Durante o ensino médio, Pedro pensava em estudar no exterior. O plano fazia sentido para quem buscava grandes desafios acadêmicos. Mas custos e exigências tornaram o caminho menos viável.
No Brasil, restava uma pergunta: qual desafio estaria à altura? A resposta veio no ITA.
Embora conhecesse a instituição desde pequeno, Pedro afirma que a decisão foi própria.

Em casa, Fabrício e a esposa Cristina sempre repetiram aos filhos um princípio simples: descobrir primeiro a profissão que realmente atraía; depois, buscar a melhor escola possível.
A engenharia parecia natural. O ITA, não necessariamente.
Por isso, a escolha surpreendeu positivamente a família.
Mesma origem, rotas diferentes
Pai e filho seguiram áreas próximas, mas não iguais.
Fabrício formou-se em Engenharia Aeronáutica.
Pedro escolheu Engenharia Aeroespacial, olhando para o crescimento dos sistemas espaciais e para novas fronteiras tecnológicas.
É um contraste simbólico: o pai ligado ao voo; o filho, ao espaço.

Também fora da engenharia, as preferências mostram personalidades próprias: em casa, Fabrício torce pelo Palmeiras, enquanto Pedro e o irmão Lucas seguem o Santos.
Mesma família.
Caminhos distintos.
Um novo ITA
Pai e filho concordam que o ITA mudou. Hoje há mais acesso à informação, mais proximidade com empresas, mais iniciativas estudantis e uma cultura empreendedora muito mais presente. Mas ambos reconhecem que a essência permanece.
A exigência acadêmica continua alta.
A resiliência segue indispensável.
E o espírito coletivo continua sendo marca do ITA.
Como resume Pedro: “O espírito de ajudar o próximo continua o mesmo.”
Liderança desde cedo
Pedro não vive apenas a sala de aula. Participou da Comissão de Estágio e Emprego (CEE), onde atuou como membro e depois diretor, liderando uma equipe de nove pessoas ainda no início da graduação. Também integrou o Centro Acadêmico Santos Dumont (CASD), ampliando sua vivência institucional dentro do campus.

As experiências lhe trouxeram contato com empresas, organização de grandes eventos e aprendizado real em liderança, gestão e trabalho em equipe.
As experiências lhe trouxeram contato com empresas, organização de grandes eventos e aprendizado real em liderança, gestão e trabalho em equipe.
Para ele, iniciativas como essas aproximam os alunos do mercado, da inovação e das oportunidades profissionais.
O olhar de quem lidera a indústria

Hoje COO da Saab Brasil, Fabrício Saito enxerga no ITA uma qualidade rara e recorrente entre seus formandos: a ausência de medo diante do desconhecido.
A capacidade de enfrentar problemas complexos, insistir quando não há respostas prontas e aprender em movimento, segundo ele, é decisiva para setores estratégicos como o aeroespacial e a defesa: áreas que vivem permanentemente na fronteira tecnológica.
Orgulho sem pressão
Pedro vê no pai uma referência pessoal e profissional, mas sem sentir a obrigação de repetir sua trajetória.
Fabrício responde no mesmo tom: “Meu orgulho já é enorme e independe da trajetória que o Pedro irá escolher. Ele precisa tão somente da liberdade para ser feliz.”
Mais do que expectativa, há confiança.
O que permanece
Para Pedro, o principal legado do ITA está no senso de fazer o certo pelo certo, na solidariedade e no companheirismo entre os alunos.
Para Fabrício, a síntese cabe em um conceito histórico da cultura iteana: Disciplina Consciente.

