Frederico Fleury Curado (T83), ex-CEO da Embraer, relembra a formação no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), os desafios de transformar a empresa em um player global da aviação e reflete sobre o futuro da indústria aeronáutica e da inovação no Brasil.
Engenheiro mecânico-aeronáutico formado pelo ITA na turma de 1983, Frederico Curado construiu uma das trajetórias mais relevantes da indústria aeronáutica brasileira. Foram mais de três décadas na Embraer, incluindo quase dez anos como CEO, período marcado pela consolidação da empresa como um dos principais players globais da aviação.
Nesta entrevista à ITAEx, Curado relembra sua formação e a convivência no ITA, fala sobre os momentos decisivos de sua carreira na Embraer, como a privatização, o processo de transformação da empresa e os desafios enfrentados durante a crise de 2008 — e compartilha reflexões sobre liderança, inovação e o futuro da indústria aeronáutica.
Atualmente, ele integra Conselhos de Administração de empresas globais como a ABB, a Transocean e o LATAM Airlines Group, mantendo-se próximo das discussões estratégicas sobre indústria, tecnologia e energia no cenário internacional.
Formação e raízes no ITA
ITAEx – Como foi sua trajetória até chegar ao ITA e como se deu sua entrada na escola?
Fred Curado – Como filho de oficial do Exército, passei a infância e a juventude mudando constantemente de cidade e, consequentemente, de escolas. Nasci no Rio de Janeiro e morei lá até nos mudarmos para Mato Grosso, depois Amazonas e Brasília, antes de retornarmos ao Rio. Minha mãe era professora de ensino médio — na época chamado de Ensino Normal.
Na minha infância, o ensino público ainda era de qualidade, e foi justamente em escolas públicas do Rio que fiz o primário (hoje ensino fundamental). Três dos quatro anos do ginásio cursei no Colégio Militar de Manaus e tive um ensino médio bastante interessante, passando por três escolas diferentes em três anos. Ao todo, estudei em nove colégios ao longo de 12 anos.
Por sorte, fiz o terceiro ano do então chamado Científico no Colégio Impacto, na Tijuca (Rio de Janeiro), sem o que acredito que teria sido difícil entrar no ITA. E, claro, isso só foi possível porque estudei muito e tive em meus pais um exemplo constante de esforço, dedicação e valores. Também tive a sorte de ingressar no curso que queria: Engenharia Mecânica.

No H-8B, ap. 224 — memórias dos tempos de ITA
ITAEx — Que aspectos da formação no ITA mais moldaram sua forma de liderar empresas globais?
Fred Curado — Sempre achei que a engenharia proporciona uma formação muito especial, pois nos ensina a aprender. O ITA, por outro lado, oferece dois elementos adicionais relevantes: a convivência do internato por cinco anos (em uma fase importante da vida) e uma cultura de excelência acadêmica associada à Disciplina Consciente, que é única no País. O único ponto de preocupação é um certo isolamento do “mundo real” e o risco de se criar alguma soberba, algo que obviamente deve ser evitado. Além do convívio próximo aos colegas, que nos faz crescer como indivíduos, é inegável que a demanda intelectual e disciplina exigidas pelo ITA são pilares importantes para uma boa formação e carreira profissional. A partir daí, é buscar aprender incessantemente, acumular experiência e ter coragem de ousar.
ITAEx — Como a convivência com os colegas da T83 influenciou sua visão de equipe?
Fred Curado — A vida no H-8 é um pequeno laboratório social, pois passamos anos estudando e convivendo com pessoas diferentes que, embora de origens muito distintas, compartilham os mesmos objetivos e desafios.
Na minha turma, por exemplo, havia colegas oriundos de subúrbios de São Paulo e Fortaleza e outros de famílias paulistanas muito ricas. Gente de todo o Brasil, com personalidades e experiências de vida bastante variadas. Ainda assim, éramos todos iguais em nossa jornada pela sobrevivência acadêmica.
Fomos nos adaptando uns aos outros e crescendo nesse processo. Muitos se tornaram grandes amigos. A vida empresarial também exige que as pessoas passem mais da metade do seu tempo no ambiente de trabalho, onde tolerância, parceria, respeito pelo próximo e integridade de comportamento são fundamentais.

Com a T83, Fred Curado (agachado à direita), em viagem à Europa pela Comissão de Viagem (CV)
ITAEx — O que diria hoje para um aluno do ITA que sonha trabalhar na indústria aeronáutica?
Fred Curado — A indústria aeronáutica é uma das mais estimulantes que existem, tanto em termos de desafios técnicos quanto empresariais. É intelectualmente desafiadora e extremamente recompensadora.
No Brasil, em particular, o desafio e a recompensa são em dose dupla, pois é um País que ainda dedica pouca atenção à alta tecnologia, enquanto a competição é global e implacável.
Quando vemos um ERJ 145 ou um E-Jet em Frankfurt, Schiphol, Charles de Gaulle, O’Hare, Houston, Atlanta, Chicago, Haneda, Tianjin, Taipei e em dezenas de outros grandes aeroportos do mundo, a sensação é impagável, indescritível.
Embraer – 32 anos de transformação
ITAEx — O senhor passou mais de três décadas na Embraer. Qual foi o momento mais importante dessa trajetória?
Fred Curado — Não é possível apontar um único momento, pois foram muitos de grande significado. Para citar alguns períodos, mais do que momentos específicos, destaco o processo de privatização, que durou mais de três anos e literalmente salvou a empresa de um eventual desaparecimento.
O processo de turnaround pós-privatização foi igualmente marcante, assim como o P3E (Programa de Excelência Empresarial Embraer), que criou as bases para a perpetuidade da empresa.
Foram muitos momentos importantes, mas todos têm um denominador comum: as pessoas que deles participaram. Ao longo dos meus 32 anos na Embraer, tive o privilégio de trabalhar lado a lado com profissionais de altíssima qualidade pessoal e profissional, cuja dedicação e entrega iam muito além do que se vê normalmente nas empresas.
Daria para escrever um livro reunindo esses episódios, alguns hilários, outros dramáticos. Como eu costumava dizer, a Embraer se diferenciava por ser uma empresa que tinha alma.
ITAEx — Durante a crise de 2008, que atingiu fortemente o setor de aviação, quais foram as decisões mais duras que precisou tomar como CEO?
Fred Curado — Indubitavelmente, a mais difícil foi a necessidade de reduzir nossa força de trabalho e encolher a empresa. A crise não era da Embraer, mas de todo o setor de aviação, sem exceção.
Tínhamos clareza de que o mercado levaria anos para se recuperar e, por isso, foi preciso tomar a dura decisão de reduzir o tamanho da empresa e cortar drasticamente custos para garantir sua capacidade de sobreviver e se recuperar no futuro.
Foram anos de retração, que coincidiram com o avanço inicial do P3E. Ainda assim, a Embraer conseguiu preservar sua saúde operacional e financeira, além, obviamente, da capacitação tecnológica, e acabou saindo da crise relativamente mais fortalecida do que seus concorrentes diretos.
A Bombardier se enfraqueceu sobremaneira naquele período e nosso concorrente alemão, a Dornier, encerrou suas atividades e deixou o mercado. Nós, por outro lado, saímos da crise relativamente mais fortes do que entramos. Posteriormente, inclusive, conseguimos recontratar muitas das pessoas que haviam saído em 2008.
ITAEx — Quando a Embraer passou a ser a terceira maior empresa do setor, o que isso significou pessoalmente para o senhor?
Fred Curado — A grande conquista, na verdade, foi deixarmos de ser aquela pequena e simpática empresa do Brasil para sermos efetivamente reconhecidos como um player global no mercado de aviação, não apenas em aviões comerciais, mas também na aviação executiva e no setor de Defesa e Segurança.
Esse foi um processo que levou muitos anos e no qual muitas pessoas foram protagonistas. Eu sempre dizia à nossa equipe que precisávamos evoluir de uma empresa exportadora brasileira para uma empresa global com sede no Brasil. São duas coisas bem diferentes.
ITAEx — O desenvolvimento do KC-390 marcou a indústria brasileira. Que aprendizados esse projeto trouxe para a Embraer e para o setor aeronáutico?
Fred Curado – Não se pode analisar o KC-390 de forma isolada. A Embraer sempre demonstrou uma capacidade incomum de aproveitar desenvolvimentos e aprendizados de um programa, seja comercial ou de defesa, nos projetos seguintes. É uma espécie de capacitação em espiral crescente.
Não teríamos feito o ERJ 145, que foi o produto pivô da recuperação da Embraer no pós-privatização, se antes não tivéssemos desenvolvido o AMX. O ERJ 145, por sua vez, capacitou a empresa a ingressar na aviação executiva com os Legacy 600/650 e os Phenom 100/300, além de viabilizar o desenvolvimento da família EMBRAER 170/190, aviões muito maiores e mais sofisticados.
Esses programas, por sua vez, abriram caminho para os Legacy 450/500/550 (hoje rebatizados Praetor), para a família E2 e também para o KC-390.
É importante destacar que o KC-390 também tem grande mérito da FAB, tanto pela clareza na especificação das missões que o avião deveria cumprir quanto pela vasta experiência acumulada na operação dos C-130. Essa combinação, um cliente que sabe exatamente o que quer e uma empresa capaz de desenvolver o produto adequado, faz do KC-390 um verdadeiro campeão. Trata-se do maior avião já desenvolvido pela Embraer, e acredito que terá uma vida longa e frutífera, ao longo de muitas décadas.
Liderança
ITAEx — Que tipo de líder o senhor acredita que a indústria brasileira precisa hoje?
Fred Curado — A indústria brasileira vem se enfraquecendo gradual e sistematicamente nos últimos 30 anos, por fatores que não cabe discutir aqui. O Brasil já foi uma potência industrial, com diversos setores que chegaram a representar mais de 25% do PIB.
Hoje, a participação da indústria no PIB é menos da metade do que já foi e está concentrada principalmente em produtos de base, como mineração, petróleo e proteína animal. É evidente que esses setores são importantes e precisam permanecer competitivos, mas a indústria de transformação, da qual a Embraer é um expoente, tem perdido competitividade internacional.
O País precisa de líderes capazes de enxergar caminhos para reverter essa tendência, com a força e a coragem necessárias para promover essa mudança de rumo.
Indústria aeronáutica brasileira
ITAEx — Em 2007, o senhor foi o preletor da aula magna do ITA e falou sobre o desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira. O que mudou desde então?
Fred Curado — Todo processo deve ser conduzido sob a perspectiva de melhoria contínua. Hoje dispomos de ferramentas de engenharia muito mais avançadas do que há 20 anos, o que contribui para reduzir custos, ciclos de desenvolvimento e eventuais desvios de projeto.
Embora eu não esteja mais acompanhando esse tema tão de perto, imagino que a inteligência artificial possa ter impactos significativos no processo de desenvolvimento de produtos, em seu sentido mais amplo, desde a especificação e o anteprojeto até a certificação e a preparação para a industrialização.
Até o início dos anos 2000, havia a convicção de que não seria possível automatizar a produção de aeronaves, devido à baixa escala e aos altos custos envolvidos. Uma década depois, a Embraer já havia automatizado grande parte de seus processos industriais, inclusive na montagem.
No fim das contas, o segredo é nunca parar de inovar e investir.
ITAEx — O Brasil ainda pode competir globalmente na aviação? Em quais nichos?
Fred Curado — A Embraer seguramente tem condições de competir globalmente e de forma sustentável. Isso já está provado. Continuo acreditando que a empresa precisa se internacionalizar ainda mais, embora mantendo seu DNA e suas raízes no Brasil.
Todos os investimentos realizados até a década passada resultaram em produtos extremamente competitivos nas três áreas de negócio. Os E2, os Phenom e Legacy (hoje Praetor), o Super Tucano e o KC-390, além da capacitação em sistemas de defesa não embarcados, são vencedores em seus respectivos segmentos de mercado.
Cabe agora à Embraer seguir identificando novas oportunidades e trabalhar para assegurar sua liderança nos setores em que decidir investir.
ITAEx — Qual é o papel do ITA na formação de quadros para o desenvolvimento industrial do Brasil?
Fred Curado — O ITA forma profissionais e líderes diferenciados, não apenas para a indústria aeronáutica, mas para o Brasil como um todo. Se olharmos um pouco para trás, por exemplo, veremos que o País chegou a desenvolver uma enorme competência em telecomunicações a partir de uma massa crítica de engenheiros formados pelo ITA. Algo semelhante ocorreu no setor de automação bancária.
Há algum tempo, no entanto, tenho observado muitos de nossos engenheiros migrando para o mercado financeiro, o que não deixa de representar um desvio dos objetivos primários da Escola. Esse fenômeno não ocorre por falha do ITA, nem dos formandos que optam pela Faria Lima, mas sim pelo encolhimento das oportunidades em empresas industriais e de engenharia no País.
Acredito que o papel do ITA continua sendo o de formar engenheiros e profissionais de primeiro nível. Independentemente de onde venham a trabalhar, eles certamente contribuirão para um Brasil melhor.
Entretanto, sem uma clara visão de Estado, com vetores de longo prazo e um mínimo de previsibilidade, não vejo como o País poderá desenvolver uma política industrial capaz de promover uma reindustrialização competitiva. O ITA, a meu ver, está fazendo a sua parte.

Nos céus de Linköping: voo no Gripen ao lado do Chief Pilot da Saab
Transição para o Grupo Ultra
ITAEx — Depois de mais de três décadas na Embraer, o senhor assumiu o Grupo Ultra. Como foi essa transição para um setor completamente diferente?
Fred Curado — Foi uma decisão motivada pelo desejo de fazer algo diferente antes de encerrar minha carreira executiva. Há também que reconhecer que ninguém é eterno e que a renovação é saudável e necessária nas organizações. Depois de 22 anos como diretor da Embraer, dos quais quase dez como CEO, a mudança parecia oportuna.
No plano pessoal, eu me perguntava se poderia ser bem-sucedido como CEO em uma empresa cujo negócio, pessoas e stakeholders eu não conhecia tão profundamente quanto conhecia na Embraer.
Hoje vejo que a decisão foi acertada. Tive uma passagem muito feliz pelo Grupo Ultra, uma companhia que considero admirável, e acredito que consegui contribuir para sua trajetória. Foi também uma grande oportunidade de ampliar meus conhecimentos e encerrar minha carreira executiva. Tudo o que aprendi ali tem me ajudado muito nos Conselhos de Administração em que atuo atualmente.

Em 2017, a cerimônia de closing bell na New York Stock Exchange marcou os 80 anos do Grupo Ultra — um momento simbólico da trajetória de uma companhia brasileira no cenário global
ITAEx — Ao liderar o Grupo Ultra, com empresas como Ipiranga e Ultragaz, o senhor passou a ter maior contato com o mercado brasileiro. Que aprendizados essa experiência trouxe?
Fred Curado — Como CEO da Ultrapar, meu papel era mais de gestão estratégica do que operacional. Ipiranga, Ultragaz e as demais empresas do Grupo tinham seus próprios CEOs, que compunham a diretoria por mim liderada.
Mas, respondendo objetivamente, sim, aprendi muito sobre o Brasil nos quase seis anos em que lá permaneci. Apesar de ter liderado a área comercial da Embraer por dez anos, a verdade é que eu tinha pouca exposição ao mercado brasileiro, pois, tirando a FAB, praticamente não tínhamos clientes no País.
As empresas do Grupo Ultra, por outro lado, atuam de forma transversal em toda a sociedade, seja em termos de camadas sociais, seja de setores da economia. Foi uma experiência muito rica, que me mostrou que há, sim, empresas de excelência no Brasil além da Embraer.
Reconhecimento e legado
ITAEx — O Tony Jannus Award reconhece líderes da aviação mundial. O que esse prêmio representou para o senhor?
Fred Curado — Honestamente, é importante que as pessoas tenham sempre em mente que premiações são, em grande medida, função da posição que se ocupa e dos resultados que toda uma equipe alcança. Ao mesmo tempo em que trazem grande satisfação, é preciso ter consciência de que, por trás de todo prêmio, há um sem-número de pessoas igualmente merecedoras desse reconhecimento.
No caso específico desse prêmio, faço também uma ligação com algo que mencionei anteriormente: a inserção da Embraer no “clube” dos players globais. O Tony Jannus Award é concedido por indicação de pessoas da própria indústria e, até onde sei, foi a primeira vez que o Brasil recebeu esse prêmio.
Foi, portanto, também um reconhecimento institucional para a Embraer, para além do aspecto pessoal.

Ao lado de Neil Armstrong (à direita), comandante da missão Apollo 11 Moon Landing
Futuro da aviação e inovação
ITAEx — Quais tecnologias ou tendências devem transformar a aviação nas próximas décadas?
Fred Curado — Tenho uma visão mais conservadora sobre os eVTOLs, não quanto à sua viabilidade técnica, mas em relação ao modelo de negócio. De modo geral, vejo a aviação como um setor que evolui de forma contínua e gradual, e não por meio de grandes saltos tecnológicos.
Se considerarmos o custo médio de um assento por milha voada (CASM) de aeronaves como o A350 ou o B787, veremos que ele é muito menor do que o de um jato comercial da década de 1960 (descontada a inflação). Essa redução, porém, ocorreu ao longo de décadas, resultado de melhorias e inovações incrementais.
Algumas foram mais marcantes, como o uso de fibra de carbono, a tecnologia fly-by-wire, os motores turbofan, o ETOPS e a digitalização em geral. Mas também houve inúmeras evoluções graduais, melhorias aerodinâmicas, interiores mais leves e freios de carbono, para citar alguns exemplos.
A substituição do querosene como combustível de aviação não será simples. O aumento gradual do uso de SAF (sustainable aviation fuel) parece uma tendência mais provável. Mais uma vez, uma evolução progressiva. Já a propulsão elétrica em escala comercial ainda me parece distante.
Motores mais eficientes, aerodinâmica aprimorada, sistemas mais inteligentes e resistentes a falhas, maior automação no cockpit, melhor infraestrutura e novos materiais: há uma enorme gama de melhorias incrementais que, ao longo do tempo, acabam se traduzindo em grandes avanços.
Como mencionei anteriormente, vejo também a inteligência artificial com potencial relevante para aprimorar processos, design e apoio à decisão.

Participação no World Economic Forum, em Davos, reunindo líderes globais
ITAEx — O Brasil tem potencial para se tornar um grande produtor de combustível sustentável de aviação (SAF)?
Fred Curado – A LATAM desenvolveu recentemente, em parceria com o MIT, um estudo detalhado que aponta o Brasil como um grande potencial fornecedor de SAF para a região e para o mundo.
Ao mesmo tempo, o estudo mostra que ainda existem diversas barreiras a serem superadas. Hoje não há escala suficiente nem economicidade para uma utilização mais relevante desse combustível pelas empresas aéreas.
Trata-se, sem dúvida, de uma oportunidade para o Brasil no médio e no longo prazos, mas que dependerá da criação de condições que viabilizem os investimentos necessários.
ITAEx — Que caminhos existem hoje para jovens engenheiros que desejam empreender na indústria aeroespacial?
Fred Curado – O Brasil não é um país particularmente amigável ao empreendedorismo, especialmente em setores industriais. Ainda assim, existem algumas empresas inovadoras que conseguem atravessar o famoso “vale da morte” e se posicionar no mercado.
É fundamental olhar além do mercado brasileiro, pois a indústria aeroespacial é essencialmente global. Nesse contexto, a presença de uma empresa integradora do porte da Embraer no País, com sua vasta cadeia de suprimentos, pode facilitar o surgimento e o crescimento de novas e pequenas empresas inovadoras.
Outro fator importante é a capacidade de certificação que o Brasil possui por meio da área técnica da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o que facilita muito o processo de certificar um produto aeronáutico para exportação.

Cerimônia de assinatura de acordo com a Japan Airlines
Valores
ITAEx — Quais pessoas tiveram maior influência na sua trajetória profissional?
Fred Curado — Tive algumas pessoas que foram referência e inspiração para mim, e com quem muito aprendi. Ozires Silva (T62), Juarez de Siqueira Britto Wanderley (T67) e Maurício Botelho foram líderes com quem tive o privilégio de trabalhar e a quem muito tenho a agradecer.
Também aprendi muito com colegas com quem trabalhei lado a lado, como Artur Aparecido Valerio Coutinho (T71), Satoshi Yokota (T64) e Emílio Kazunoli Matsuo (T77), entre tantos outros.
A verdade é que todo indivíduo tem algo a oferecer em termos de experiência de vida. Feliz aquele que busca aprender com os outros.
ITAEx — Como os ex-alunos podem contribuir para o futuro das novas gerações do ITA?
Fred Curado — Sendo exemplos de vida pessoal e profissional, compartilhando suas experiências, erros e acertos, e motivando os alunos a pensar grande, ousar e trabalhar com determinação na direção de seus objetivos.
PINGUE-PONGUE

“A demanda intelectual e disciplina exigidas pelo ITA são pilares importantes para uma boa formação e carreira profissional” – Frederico Fleury Curado (T83)
Um líder que admira — Winston Churchill
Projetos que gostaria de ter feito — Participar, como piloto, do translado dos Tucanos da Força Aérea Francesa (de São José dos Campos até Salon-de-Provence, na França). E, também, ter viabilizado a aquisição da Beechcraft, oportunidade que deixamos passar quando a empresa esteve à venda.
Duas palavras que definem a importância do ITA na sua vida — Formação e amigos (verdadeiros, para o resto da vida).
Nota da ITAEx
A trajetória de Frederico Curado reflete a capacidade do ITA de formar líderes que ajudam a projetar o Brasil no cenário tecnológico global. Ao longo de mais de três décadas na Embraer e, posteriormente, em posições de liderança empresarial e em conselhos de administração internacionais, o iteano participou de decisões e momentos que marcaram a consolidação da indústria aeronáutica brasileira. Seu legado combina visão estratégica, valorização do trabalho coletivo e confiança no poder da formação e das pessoas, valores que seguem inspirando novas gerações de engenheiros e líderes formados pelo ITA.
