Aviador formado na Academia da Força Aérea (AFA) e engenheiro eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Brigadeiro do Ar Jorge Mauricio Motta (T03) trilhou uma carreira singular, combinando visão operacional e visão técnica da aviação. Essa formação dupla, segundo ele, foi decisiva para que compreendesse melhor os desafios da Força Aérea Brasileira (FAB).
“O fato de ter as duas formações, tanto operacional quanto técnica, propiciou uma visão mais abrangente para analisar as diversas nuances envolvidas nos projetos técnicos. De um lado temos as necessidades operacionais, do outro, variadas opções de soluções. Conciliar os dois pontos de vista é fundamental para garantir a eficácia e a eficiência do sistema ou equipamento desenvolvido.”
Ele cita como exemplo a atuação no grupo de trabalho para confecção dos Requisitos Técnicos, Logísticos e Industriais do LINK BR2 – datalink militar brasileiro – em que a formação mista — somada à experiência como Chefe Controlador de Operações Aéreas Militares — foi fundamental para contribuir com soluções adequadas às demandas.
O legado do ITA
Ao relembrar sua passagem pelo ITA, o Brigadeiro Mauricio destaca que a maior transformação foi na forma de pensar e enfrentar problemas.
“No ITA aprendemos a buscar formas alternativas de ver e resolver questões complexas. Desenvolvemos tanto a capacidade analítica quanto a de síntese, e essa maneira diferenciada de enxergar o mundo é, sem dúvida, o maior legado que recebemos.”
Outro aspecto que marcou sua experiência foi o espírito de corpo e pertencimento da comunidade iteana. “Uma vez iteano, sempre iteano. Onde quer que estejamos, sempre que encontramos companheiros do ITA, a empatia é imediata. Isso é algo magnífico”, resume.
Disciplina Consciente
A vida acadêmica no ITA também exigiu equilíbrio entre disciplina e autonomia intelectual. Essa vivência, segundo o Brigadeiro Mauricio, reflete até hoje em sua liderança na Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA).
“O ITA nos incentiva a pensar de forma independente, criativa e crítica, a não nos intimidarmos perante desafios acadêmicos. Isso forja profissionais resilientes, pensadores arrojados, empreendedores persistentes. Tento aplicar esses mesmos aprendizados no meu estilo de liderança, incentivando a equipe a inovar, a pensar fora da caixa e buscar sempre os melhores resultados.”
A Disciplina Consciente é, para ele, um princípio que ultrapassa as escolas militares e se tornou essencial em sua trajetória.
Experiência na FAB
Ao longo da carreira, o o iteano comandou o Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC) e o Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA IV), além de atuar em funções estratégicas no Brasil e no exterior. Cada uma dessas experiências contribuiu para sua atual posição à frente da CISCEA.
“A vivência no comando do 1º GCC propiciou uma visão diferenciada sobre a aplicação prática dos meios de comando e controle. A atuação na Comissão Aeronáutica Brasileira na Europa (CABE) trouxe uma visão abrangente acerca dos processos licitatórios internacionais e negociações de contratos estratégicos. Já o comando do CINDACTA IV, o gigante da Amazônia, me ensinou flexibilidade, planejamento e adaptabilidade diante de desafios logísticos colossais.”
Esse conjunto de vivências pavimentou o caminho dele até a presidência da CISCEA.
Tecnologia e inovação
Pesquisador e autor de trabalhos sobre radar, datalink e consciência situacional, o Brigadeiro Mauricio reforça a importância da pesquisa acadêmica e tecnológica na modernização do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB).
“A pesquisa é a gênese de tudo. É dela que surgem as inovações necessárias para manter os mais altos padrões de qualidade no SISCEAB. Precisamos estimular uma massa crítica de pesquisadores que forneçam subsídios para a indústria nacional galgar novos patamares.”
Cooperação Institucional
Ele também enxerga oportunidades estratégicas de aproximação entre a CISCEA, o ITA e a ITAEx.
“Existem diversos campos de pesquisa em aberto, nos quais a participação da ITAEx seria mais do que pertinente, seria fundamental. Áreas como telecomunicações, detecção, ciência de dados, auxílios à navegação e, mais recentemente, inteligência artificial, têm um potencial incrível para parcerias que unam academia, indústria e defesa.”

Brigadeiro Mauricio, ladeado pelo presidente da ITAEx, Edson Muylaert (T90), e pelo conselheiro Marcos Pacciti (T90), na cerimônia de posse da presidência da CISCEA
Aos jovens engenheiros e aviadores que sonham em contribuir para a aviação e a defesa do Brasil, o iteano deixa uma mensagem:
“Aprendi muito ao longo dos anos e, como fruto da vivência de diversas situações, sugiro que persistam sempre, não se furtem a serem inovadores, não desanimem quando receberem tarefas tidas como menos importantes, antes, façam-nas com todo o empenho e a dedicação, pois a partir das pequenas coisas e que se chega aos grandes feitos e, principalmente, confiem sempre e integralmente em Deus”.

